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29.9.19

Poesia Traduzida - Eduardo Lizalde


Poesia de Eduardo Lizalde - traduzida por Sandra Santos



morde a cadela
quando estou dormindo
rasga, rompe e escava
faz de seu focinho uma lança
para ferir-me

entanto, outra dentro há
que chora e cava há
vinte anos



Muerde la perra
cuando estoy dormido;
rasca, rompe, excava
haciendo de su hocico una lanza,
para destruirme.
Muerde la perra
cuando estoy dormido;
rasca, rompe, excava
haciendo de su hocico una lanza,
para destruirme.

Pero hallará otra perra dentro
que gime y cava hace veinte años.


Eduardo Lizalde


tradução: Sandra Santos
(08/10/2014)


nota - esta tradução foi postada anteriormente, em 2014,  no blog do meu amigo e jornalista Talis Andrade







Poesia de Flor de Udumbara

pintura Gauguin
"Lavadeiras" Paul Gauguin

Poema do livro Flor de Udumbara - tradução quechua e espanhol


Lavadeiras

as lavadeiras desatam das trouxas
suas ladainhas 
- canções de ninar

o rio

“não deixa manchar
não deixa manchar“

o rio

só as lavadeiras estendem lençóis de espumas no mar

as lavadeiras ensinam o cio
às filhas o ciclo
do rio

e morre a manhã
                            no quarador

O dia absolve o sol que se foi


     *

Arpilleras

as arpilleras de Isla Negra
recolhem da rua seu bordado
onde guardam a memória

de todas as mulheres

não fazem ruído
suas armas são agulhas
de silêncio e aço

escrevem esse jornal
de palavras proibidas
no pano do algodão

e acontece desabrochar
a rara flor da verdade

     *

As quebradeiras

o sol levanta todas as manhãs, sem feriado
ainda que Santa Rita ou São Domingos
tenha trocado a cor do dia, no calendário

o sol vai para a roça
as mulheres, para a mata

mães e filhas armadas
de porrete e machado

não têm lugar na herdade
herdeiras da negritude
do carvão de casca

carregam o perfume do manzapi
desde o mês de abril até o reisado





Lavanderas

lavanderas desatan
de los fardos sus letanías
canciones de acunar

el río

“no dejes manchar
no dejes manchar”

el río

solamente lavanderas extienden un manto de espuma en el mar

lavanderas enseñan el celo
a las hijas el ciclo

del río

y muere la mañana en piedras tibias
el día

  absuelve al sol que se fue


      *


Arpilleras

las arpilleras de Isla Negra
recogen de la calle su bordado
donde guardan la memoria

de todas las mujeres

no hacen ruido
sus armas son agujas
de silencio y acero

escriben ese diario
de palabras prohibidas
en el paño del algodón

y empieza a florecer
la verdad


      *


Las quebradoras
                                 
el sol levanta todas las
mañanas, sin feriado 
aunque Santa Rita o San Domingo
haya cambiado el color del día, en el calendario

el sol se va para el campo
las mujeres, para la mata

madres e hijas armadas
de  hacha y garrote

no tienen lugar en la heredad
herederas de la negritud
del carbón de cáscara

cargan el perfume del manzapi*
desde el mes de abril hasta el reisado**

llegan cansadas
a los pies de la virgen de palmas
¡nuestra señora!

toman asiento en la hierba
cantan himnos
golpeando un sonido en el otro

las Juremas
quebradoras de coco


  * Torta hecha con coco   
** Fiesta de folclore regional brasilero





T’aqsaqkuna

t’aqsaqkuna phasqanku
t’eqekunamanta
yupaychayñinkuna
wawata puñuchina taqikuna

mayu

“ama qhelchachiychu
ama qhelchachiychu”

mayu

t’aqsaqkunallapunin mantokunata phaqchirinku phosukumanta mamaqochapi

t’aqsaqkuna warmichakuyta yachachinku
pacha-wataq p’asñankunaman

mayuqman

paqarimuytaq wañun
chhirirupha rumikunapi
 p’unchaytaq pampachan
 chinkaq intita


     *

Q’ewinchaqkuna

intitaq hatarin
sapa p’unchay, mana samaspa

Santa Ritaña o San Domingosña
qilla unchaykunaqpi
phunchayñinpa llimphinta hujman tukuchispapas

intitaq ripun panpaman
warmikunataq  sach’akunaman

mamakuna warmi wawakunantin
achaqunawan, maqanakunawan hap’iyuq

mana chaqrakunapi tiyanankupaq qanchu
yanak’usilluqunaq kausayñinta chaskeqkuna
k’illimsaq qaranmanta

manzapiq* q’apariyñinta q’epinku
abril qillamanta reisado raymiqama**

sayk’usqa chayamunku
palmas mamachaq chakinqama
¡mamanchis!

qorapatapi tiyanku
haylli takikunata taqinku
huj chanrata hujkaq chanrapi takaspa

juremakuna
cocokunata p’akiq

*Cocomanta ruwasqa torta
** Brasilpa Regional Tusuy takinkunaq raymin






tradução espanhol: Diego Propato
tradução quechua: Hayson Challco Cotohuanca

do livro: Flor de Udumbara - Sandra Santos, publicado no Peru por Hanan Harawi
          









11.10.13

Poesia traduzida - Carlos Aldazábal




Poesia de Carlos Aldazábal
traduzida por Sandra Santos



Motivos

Nada fácil perder tantas peleias
vencer as tarefas cotidianas,
decidir-se a viver com a náusea até a nuca.

Ressuscitar por dia, por minuto,
reencarnado em folhagem ou formiga,
ressuscitar contra relógio na descida
para evitar morrer de dupla morte.

Não é possível afrouxar: assim é o jogo,
esta sutil condenação de continuar nascendo
apesar dos outros.

Por isso é que persisto - disfarçado de palhaço
porque o riso e o amor são as escadas
que tentamos sem medo, mesmo resvalando.

Quero dizer:

teus olhos em mim se fixaram,
e por isso vale a pena todo sacrifício.


Motivos

No es fácil perder tantas peleas,
remontar las tareas cotidianas,
decidirse a vivir con la náusea en la nuca.

Resucitar por día, por minuto,
reencarnado en helecho o en hormiga,

resucitar contrarreloj en la caída
para evitar morir de doble muerte.

No es posible aflojar: así es el juego,
esta sutil condena de continuar naciendo
a pesar de los otros.

Por eso es que persisto en mi disfraz de circo,
porque la risa y el amor son escaleras
que trepamos sin miedo mientras nos resbalamos.

Quiero decir:

tus ojos me han mirado,
y así vale la pena tanto esfuerzo.


(in Piedra al Pecho)


Empacho

Tragando-me a saliva sanguinolenta
na pequenez impotente de um inseto

a história me é indigesta.


Empacho

Tragándome la saliva roja
en la pequeñez impotente del insecto

la historia me indigesta.

(in El Banco esta Cerrado)


Carlos Aldazábal

( tradução: Sandra Santos )

Carlos Aldazábal nasceu em Salta, Argentina. Ganhador de vários prêmios literários em seu país: obteve o Prímer Premio Regional de Poesía de la Secretaría de Cultura de la Nación e o Segundo Concurso “Identidad, de las huellas a la palavra”, organizado pelas Avós da Praça de Maio. Publicou os livros de poesia La soberbia del monje (1996), Por qué queremos ser Quevedo (1999), Nadie enduela su voz como plegaria (2003), El caseiro (2007), Heredarás la tierra (2007), El banco está cerrado (2010) e Hain. El mundo selknam en poesía e historieta (2012). Coordena o Espaço Literário Juan L. Ortiz, do Centro Cultural de Cooperação Floreal Gorini, em Buenos Aires.
É um dos fundadores do projeto editorial El Suri Porfiado www.elsuriporfiado.blogspot.com e da revista La costurerita www.la-costurerita.com.ar

31.8.13

Poesia traduzida - Fredy Yezzed





Poesia de Fredy  Yezzed
traduzida por Sandra Santos



NUNCA PUDE SAIR-ME DO SUL. De seus acontecimentos invisíveis. Segui sendo essa migração ao fundo de mim mesmo. Não mover-me, esta travessia contínua. Morrer-me, muitas e seguidas vezes, uma tarefa simples.

Muletas, levo-as estaqueadas por dentro. Maletas, estas sempre descosturadas. O salto mais alto foi efeito da embriaguez do tempo. E o sonho mais caro, não ser dispensado de onde sempre.

Um pião que gira anti-horário. Uma ferramenta obsoleta.
Uma biruta que aponta para o céu.

Me pego ancorado nisto de assistir à iluminação dos pássaros.

Assim é este mal-estar do Sul.



NUNCA ME HE IDO DEL SUR. De sus acontecimientos invisibles. Siempre he sido una migración al fondo de sí mismo. No moverme ha sido una travesía constante. Y morir muchas veces, seguidamente, ha sido una tarea simple.

Las muletas las llevo puestas por dentro. Las maletas siempre estuvieron descosidas. El salto más alto fue el de la ebriedad del tiempo. Y el sueño más importante no ser despedido de donde siempre.

Un trompo que gira al revés. Un destornillador obsoleto. Una veleta que señala el cielo.

Me quedo anclado en esto de ver la luz de los pájaros.

Así es este malestar del Sur.


Fredy Yezzed

( tradução: Sandra Santos)


FREDY YEZZED - COLÔMBIA

Nasceu em Bogotá. Lincenciado em Línguas Modernas pela Universidad de La Salle e doutorando em Letras pela Universidad de Buenos Aires onde estuda as raízes do poema em prosa argentino: Lugones, Guiraldes, Girondo. Seu primeiro livro de poesia "La sal de la locura" foi distinguido na Argentina - pelos jurados Javier Adúriz, María del Carmen Colombo e Jorge Boccanera - com o Premio Nacional de Poesía Macedonio Fernández 2010, publicado em Buenos Aires nesse mesmo ano. Também premiado com o XII Premio Nacional Universitario de Cuento, Universidad Externado de Colombia, 2001; Premio Nacional de Cuento Ciudad de Bogotá, 2003; Premio Nacional Poesía Capital, Casa de Poesía Silva, 2005; e XXVII Concurso Nacional Metropolitano de Cuento, Universidad Metropolitana de Barranquilla, 2006.

Publicou também os estudos "Párrafos de aire", primeira antologia do poema em prosa colombiano, pela Editora da Universidad de Antioquia, Medellín, 2010.


16.7.13

Poesia traduzida - Sandra Santos por Rosetta Savelli




Poesia de Sandra Santos traduzida ao italiano por Rosetta Savelli



Il TRAVESTIMENTO di SANDRA SANTOS

Il travestimento è testimonianza
di parole non registrate
e di atti non letti

nell'indossare il travestimento
si nascondeva un gancio,
un chiodo arrugginito

il travestimento nascondeva
il lutto in una frase
muta

così che in generale
a poco a poco
si dimenticava tutto
il travestimento come il foro di proiettile
sul bavero della morte


Poesia contemporanea brasiliana - Rosetta Savelli
Traduzione in Lingua Italiana di ROSETTA SAVELLI

(Presentati e tradotti da Leo Lobos)


30.5.13

Poesia traduzida - Mario Bojórques




Poesia de Mario Bojórquez
traduzida por Sandra Santos



Chinatown

o ancião - a cerca do fogão
trincha o pato
depois despedaça
sobre a tábua engordurada
- o velho Won Ton
conhece todos os fungos comestíveis
e todas as pimentas - disse
ao mesmo tempo que
me dava água na boca


Chinatown


El anciano se acerca al fogón
y trincha el pato
que después partirá
sobre la tabla aceitada.
-El viejo Won Ton
conoce todos los hongos
y todas las pimientas- dice
mientras
mi lengua se hace agua.


Mario Bojórquez

*do livro Pretzels


( tradução: Sandra Santos )


Mario Bojórquez ( Los Mochis, Sinaloa - México). Poeta, ensaísta e tradutor. escritor com vários prêmios literários como o Premio Estatal de Literatura de Baja California (1991), Premio Nacional de Poesía Clemencia Isaura (1995), Premio Nacional de Poesía Enriqueta Ochoa (1996), Premio de Poesía Abigael Bohórquez (1996), Premio Nacional de Poesía Aguascalientes (2007), Premio Bellas Artes de Ensayo Literario José Revueltas (2010), Premio Alhambra de Poesía Americana (2012) entre outros. Obras: Pájaros sueltos (1991), Contradanza de pie y de barro (1996), Diván de Mouraria (1999), Pretzels (2005), El deseo postergado (2007), Y2k (2009),"El cerro de la memoria" (2010),"El rayo y la memoria" (2012).



9.1.13

Leo Lobos


poesía Chile
Leo Lobos




Poesia de Leo Lobos


Livre da enfermidade, embora em meio à enfermidade
Yagyu Munenori


Una Visita al Zoológico Fantasma 

He visto tanta mierda de perro
en las calles de París que debo
caminar con cuidado en la noche

es cuando me parece entonces
escuchar a niños y niñas fantasmas reír en la fila a la entrada del
zoológico que para ellos aquí se levanta:

un desfile de elefantes blancos cruza l
a plaza del Louvre haciendo
malabares con obras de arte y restos
de arqueologías extraterrestres, jirafas
corren por los Campos Elíseos comiendo
las luces navideñas que crecen en
sus árboles, ballenas, delfines,
patos salvajes nadan por el Sena
tragando turistas desprevenidos
que encienden flashes en sus narices
leones copulan hambrientos
sobre los tejados como reliquias
de cristal de una ciudad inminente...

Hipopótamos ebrios se atascan en sus
calles serpenteantes, en sus arcos triunfales,
en su torre famosa...
Galeristas confusos
corren tras caballos libres de
carrusel que llevan grabada una estrella
de oro en su flanco...

Bandadas de aves tropicales cubren la luna
de plumas de plástico que
osos vestidos a la moda soplan
con ventiladores nucleares desde
globos que intermitentes suben
y bajan por escaleras invisibles
que aguilas ciegas traen  desde Nôtre-Dame...


Campanas-nubes cargadas de
perfumes humanos llueven
al final de esta noche sobre
el zoológico de plasma y todo
vuelve en los ojos de un gato

sabiamente
a ser luz solar
y París  es
otro día.




Tenho visto tanta merda de cão
nas ruas de Paris que devo
caminhar com cuidado à noite

é quando me parece então
escutar meninos e meninas fantasmas
rirem na fila de entrada do
zoológico que para eles ali se levanta:

um desfile de elefantes brancos cruza
a praça do Louvre fazendo
malabarismos com obras de arte e restos
de arqueologias extraterrestres, girafas
correm pelos Campos Elíseos comendo
as luzes natalinas que crescem em
suas árvores, baleias, delfins,
patos selvagens nadam pelo Sena
tragando turistas desprevenidos
que acendem flashes em seus narizes
leões copulam famintos
sobre os telhados como relíquias
de cristal de uma cidade iminente...

Hipopótamos ébrios se encalham em suas
ruas serpenteantes, em seus arcos triunfais,
em sua torre famosa...
Galeristas confusos
correm atrás de cavalos livres de
carrossel que levam gravada uma estrela
de ouro em seu flanco...

Bandos de aves tropicais cobrem a lua
de plumas de plástico que
ursos vestidos à la mode sopram
com ventiladores nucleares de
globos que intermitentes sobem
e descem por escadas invisíveis
que águias cegas trazem
de Nôtre-Dame...

Sinosnuvens carregados de
perfumes humanos chovem
no final desta noite sobre
o zoológico de plasma e tudo
retorna nos olhos de um gato

sabiamente
a ser luz solar
e Paris é
outro dia.

tradução: Cristiane Grando






Leo Lobos
Rem
Castelinho edições - Instante Estante



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