10.9.19

Flor de Udumbara na Casa das Rosas


melo e castro poeta português
E. M. de M.elo e Castro

Quinta Poética na Casa das Rosas

Participei da Quinta Poética na Casa das Rosas em São Paulo a convite do poeta, e curador do evento, José Inácio Vieira de Melo. A noite decorreu com leitura de poemas, apresentação dos livros dos poetas convidados e sarau musical. Meu livro Flor de Udumbara (publicado no Peru por Hanan Harawi editores), foi apresentado, inesperadamente, pelo poeta e. m. de melo e castro (assim que ela deseja ser nomeado). Já obtivera o privilégio do meu livro ser prefaciado por este enorme poeta português - um dos maiores poetas vivos lusitano - mas, ouvir o mestre apresentando a minha obra foi uma emoção indescritível.Noite que jamais esquecerei! Bom estar entre amigos...





Além do próprio curador, José Inácio Vieira de Melo, que leu poemas do seu livro Sete (editora 7Letras), o público presente acompanhou a leitura de poemas de  Ígor Fagundes, do seu livro Poética da Incorporação (editora Penalux) e também,  na voz do próprio e. m. de melo e castro , seleção de poemas inéditos e de seus livros mais recentes.


José Inácio Vieira de Melo



Ígor Fagundes brilhou ao recitar poesias de suas várias fases, além de nos trazer o livro de ensaios mais encantador de todos os tempos: "Poética da Incorporação - Maria Bethânia, José Inácio Vieira de Melo e o Ocidente na encruzilhada de Exu. "
Ígor Fagundes


a poesia do mestre melo e castro


E, claro, a voz  divina de  Patrícia Bastos, acompanhada por e Enrico di Miceli,  para a noite ser perfeita.


música
Patrícia Bastos e Enrico Di Miceli



poesia e música
Enrico Di Miceli, Sandra Santos, JIVM,
 Patrícia Bastos e Ígor Fagundes












1.9.19

Lançamento na Casa Guilherme de Almeida


Ígor Fagundes, Sandra Santos e José Inácio Vieira de Melo





Poesia na Casa de Guilherme de Almeida



Lançamento coletivo na Casa Guilherme de Almeida, São Paulo: Eu (Sandra Santos), José Inácio Vieira de Melo e Ígor Fagundes. Amizade, poesia e parceria de longa data!
Houve a apresentação seguida de leitura de poemas dos livros "Flor de Udumbara" (meu livro trilíngue: Português, Quechua/Espanhol, publicado no Peru por Hanan Harawi editores), "Poética na Incorporação", de Ígor Fagundes (editora Penalux), e "Sete" de José Inácio Vieira de Melo (editora 7Letras).


José Inácio Vieira de Melo


Apresentação de audiovisual de Ígor Fagundes


Confraternização final entre poetas e presentes


30.10.16

Castelinho do Alto da Bronze na Feira


Castelo em Porto Alegre
Castelinho do Alto da Bronze

Castelinho do Alto da Bronze na Feira do Livro de Porto Alegre


Sarau de encerramento das atividades doCastelinho na Feira do Livro de Porto Alegre: Obrigada a esses poetas maravilhosos que aceitaram meu convite para lançar seus livros em solo gaúcho e fazer ainda maior essa festa! Obrigada aos organizadores da Feira, pelo apoio e confiança!
Obrigada ao público presente!!!
Com a presença dos poetas convidados às atividades do Castelinho na Feira do Livro, houve lançamento e leitura de poesias dos livros de José Inácio Vieira de Melo, Ígor Fagundes, Salgado Maranhão, Alexandre Brito, Manoel Herzog, Ademir Demarchi, César Pereira, do poeta argentino Carlos Aldazábal e meu, claro.
Muitos outros poetas estiveram presentes, como Renato de Mattos Motta, Juliana Meira, Ricardo Silvestrin, Maria Alice Bragança...
Também tivemos a canja musical do Alexandre Brito e do Carlos Aldazábal!

as fotos são cortesia do Rafael Míssio.

poetas dizendo poesia no Castelo
Sarau no Torreão











5.7.14

Copa Brasil 2014 - álbum de poesía



Revista Brasil 2014  - Álbum de figurinhas


A revista Brasil 2014 - álbum de poesia é uma brincadeira de ler e colar que reuniu 69 poetas em 10 seleções ibero-americanas.
A revista teve distribuição gratuita na fase final da Copa do Brasil e lançamentos simultâneos em vários países. Foram 1.000 exemplares impressos (com figurinhas autocolantes em vinil) e versão online (com encarte para imprimir, recortar e colar).
A arte estampada na capa é "Abaporu" de Eloir Amaro Jr. e pertence ao acervo do Castelinho.

poetas que colaboram neste número:


ARGENTINA
01.Carlos J. Aldazábal; 02.Dante Sepúlveda; 03.Héctor Urruspuru; 04.Hugo Mujica; 05.Jorge Ariel Madrazo; 06.Jorge Boccanera; 07.Juan Manuel Silva Barandica; 08.Lisandro González; 09.Rolando Revagliatti; 10.Tomás Watkins; 11.Tony Zalazar;

BRASIL
12.Affonso Romano de Sant'Anna; 13.Alexandre Brito; 14.Antônio Carlos Secchin; 15.José Inácio Vieira de Melo; 16.Lau Siqueira; 17.Marcelo Moraes Caetano; 18.Mario Pirata; 19.Ricardo Primo Portugal; 20.Salgado Maranhão; 21.Sandra Santos; 22.Sidnei Schneider;

CHILE
23.Alejandra González Ortega; 24.Andrés Florit Cento; 25. Camila Fadda Gacitúa; 26.Ernesto González Barnert; 27.Francisco Véjar; 28.Jorge Velásquez Ruíz; 29.Leo Lobos; 30.Mario García Álvarez; 31.Omar Lara; 32.Víctor Munita Fritis Copiapó;

COLÔMBIA
33.Beatriz Giovanna Ramírez; 34.Fredy Yezzed; 35.Giovanni Quessep; 36.Gloria Posada; 37.Horacio Benavides; 38.Leidy Yaneth Vásquez Ramírez; 39.Rómulo Bustos Aguirre;

EQUADOR
40.Antonio Preciado; 41.Jorge Enrique Adoum; 42.Pedro Gil; 43.Xavier Oquendo Troncoso;

ESPANHA
44.Alejandro López Andrada; 45.Antonio Arroyo Silva; 46.Aquiles García Brito; 47.Fernando Sabido Sánchez; 48.Fernando Valverde; 49.Manuel Gahete Jurado; 50.Raquel Lanseros;

MÉXICO
51.Alí Calderón; 52.Abigael Bohórquez; 53.Carlos Ramírez Vuelvas; 54.Dalí Corona; 55.Jair Cortés; 56.José Angel Leyva; 57.Mario Bojórquez; 58.Mijail Lamas; 59.Minerva Margarita Villarreal; 60.Silvia Tomasa Rivera;

PERU
61.Daniel Rojas Pachas; 62.John Martínez Gonzales;

PORTUGAL
63.E. M. de Melo e Castro; 64.João Rasteiro;

URUGUAI
65.Alfredo Fressia; 66.Diego de Ávila; 67.Elbio Chitaro; 68.Rafael Courtoisie; 69.Roberto Echavarren



Baixe a Revista e as Figurinhas, gratuitamente, e divirta-se!


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11.10.13

Poesia traduzida - Carlos Aldazábal




Poesia de Carlos Aldazábal
traduzida por Sandra Santos



Motivos

Nada fácil perder tantas peleias
vencer as tarefas cotidianas,
decidir-se a viver com a náusea até a nuca.

Ressuscitar por dia, por minuto,
reencarnado em folhagem ou formiga,
ressuscitar contra relógio na descida
para evitar morrer de dupla morte.

Não é possível afrouxar: assim é o jogo,
esta sutil condenação de continuar nascendo
apesar dos outros.

Por isso é que persisto - disfarçado de palhaço
porque o riso e o amor são as escadas
que tentamos sem medo, mesmo resvalando.

Quero dizer:

teus olhos em mim se fixaram,
e por isso vale a pena todo sacrifício.


Motivos

No es fácil perder tantas peleas,
remontar las tareas cotidianas,
decidirse a vivir con la náusea en la nuca.

Resucitar por día, por minuto,
reencarnado en helecho o en hormiga,

resucitar contrarreloj en la caída
para evitar morir de doble muerte.

No es posible aflojar: así es el juego,
esta sutil condena de continuar naciendo
a pesar de los otros.

Por eso es que persisto en mi disfraz de circo,
porque la risa y el amor son escaleras
que trepamos sin miedo mientras nos resbalamos.

Quiero decir:

tus ojos me han mirado,
y así vale la pena tanto esfuerzo.


(in Piedra al Pecho)


Empacho

Tragando-me a saliva sanguinolenta
na pequenez impotente de um inseto

a história me é indigesta.


Empacho

Tragándome la saliva roja
en la pequeñez impotente del insecto

la historia me indigesta.

(in El Banco esta Cerrado)


Carlos Aldazábal

( tradução: Sandra Santos )

Carlos Aldazábal nasceu em Salta, Argentina. Ganhador de vários prêmios literários em seu país: obteve o Prímer Premio Regional de Poesía de la Secretaría de Cultura de la Nación e o Segundo Concurso “Identidad, de las huellas a la palavra”, organizado pelas Avós da Praça de Maio. Publicou os livros de poesia La soberbia del monje (1996), Por qué queremos ser Quevedo (1999), Nadie enduela su voz como plegaria (2003), El caseiro (2007), Heredarás la tierra (2007), El banco está cerrado (2010) e Hain. El mundo selknam en poesía e historieta (2012). Coordena o Espaço Literário Juan L. Ortiz, do Centro Cultural de Cooperação Floreal Gorini, em Buenos Aires.
É um dos fundadores do projeto editorial El Suri Porfiado www.elsuriporfiado.blogspot.com e da revista La costurerita www.la-costurerita.com.ar

31.8.13

Poesia traduzida - Fredy Yezzed





Poesia de Fredy  Yezzed
traduzida por Sandra Santos



NUNCA PUDE SAIR-ME DO SUL. De seus acontecimentos invisíveis. Segui sendo essa migração ao fundo de mim mesmo. Não mover-me, esta travessia contínua. Morrer-me, muitas e seguidas vezes, uma tarefa simples.

Muletas, levo-as estaqueadas por dentro. Maletas, estas sempre descosturadas. O salto mais alto foi efeito da embriaguez do tempo. E o sonho mais caro, não ser dispensado de onde sempre.

Um pião que gira anti-horário. Uma ferramenta obsoleta.
Uma biruta que aponta para o céu.

Me pego ancorado nisto de assistir à iluminação dos pássaros.

Assim é este mal-estar do Sul.



NUNCA ME HE IDO DEL SUR. De sus acontecimientos invisibles. Siempre he sido una migración al fondo de sí mismo. No moverme ha sido una travesía constante. Y morir muchas veces, seguidamente, ha sido una tarea simple.

Las muletas las llevo puestas por dentro. Las maletas siempre estuvieron descosidas. El salto más alto fue el de la ebriedad del tiempo. Y el sueño más importante no ser despedido de donde siempre.

Un trompo que gira al revés. Un destornillador obsoleto. Una veleta que señala el cielo.

Me quedo anclado en esto de ver la luz de los pájaros.

Así es este malestar del Sur.


Fredy Yezzed

( tradução: Sandra Santos)


FREDY YEZZED - COLÔMBIA

Nasceu em Bogotá. Lincenciado em Línguas Modernas pela Universidad de La Salle e doutorando em Letras pela Universidad de Buenos Aires onde estuda as raízes do poema em prosa argentino: Lugones, Guiraldes, Girondo. Seu primeiro livro de poesia "La sal de la locura" foi distinguido na Argentina - pelos jurados Javier Adúriz, María del Carmen Colombo e Jorge Boccanera - com o Premio Nacional de Poesía Macedonio Fernández 2010, publicado em Buenos Aires nesse mesmo ano. Também premiado com o XII Premio Nacional Universitario de Cuento, Universidad Externado de Colombia, 2001; Premio Nacional de Cuento Ciudad de Bogotá, 2003; Premio Nacional Poesía Capital, Casa de Poesía Silva, 2005; e XXVII Concurso Nacional Metropolitano de Cuento, Universidad Metropolitana de Barranquilla, 2006.

Publicou também os estudos "Párrafos de aire", primeira antologia do poema em prosa colombiano, pela Editora da Universidad de Antioquia, Medellín, 2010.


16.7.13

Poesia traduzida - Sandra Santos por Rosetta Savelli




Poesia de Sandra Santos traduzida ao italiano por Rosetta Savelli



Il TRAVESTIMENTO di SANDRA SANTOS

Il travestimento è testimonianza
di parole non registrate
e di atti non letti

nell'indossare il travestimento
si nascondeva un gancio,
un chiodo arrugginito

il travestimento nascondeva
il lutto in una frase
muta

così che in generale
a poco a poco
si dimenticava tutto
il travestimento come il foro di proiettile
sul bavero della morte


Poesia contemporanea brasiliana - Rosetta Savelli
Traduzione in Lingua Italiana di ROSETTA SAVELLI

(Presentati e tradotti da Leo Lobos)


10.6.13

Festival Latinoamericano de Poesía en el Centro

Festival de Poesia
Festival Latinoamericano de Poesía en el Centro - Buenos Aires


V Festival Latinoamericano de Poesía en el Centro


Centro Cultural de la Cooperación Floreal Gorini - Buenos Aires

O V Festival Latinoamericano de Poesía en el Centro propõe uma reflexão sobre a situação atual da poesia argentina e latino-americana, convocando vozes representativas de distintas tradições, que se expressam através de sua produção artística e teórica.

Comissão Organizadora: Susana Szwarc (Chaco), Nara Mansur (Cuba), Vicente Muleiro (Buenos Aires), Silvia Castro (Río Negro), María Malusardi (Buenos Aires), Juano Villafañe (Buenos Aires), Inés Manzano (Buenos Aires), Carlos J. Aldazábal (Salta) y Julián Axat (La Plata).


sandra santos blog


Sandra Santos é a idealizadora do Instante Estante, projeto de incentivo à leitura que divulga poesia brasileira e latino-americana, e distribui livros gratuitamente em bibliotecas comunitárias, escolas, internet (através de e-books) e intervenções urbanas nas capitais. É diretora do Espaço Cultural Castelinho do Alto da Bronze - uma lenda urbana da cidade de Porto Alegre - onde acontece exposições, lançamentos e performances artísticas, com entrada franca. Realiza oficinas de escultura às comunidades indígenas e coordena o projeto “Casa Naîf”, atelier de passagem, para hospedar e incentivar a produção artística de pintores primitivistas do país e exterior.


Alessio Brandolini nasceu em 1958 em Frascati (Roma) e viveu seus primeiros vinte anos em Monte Cómpatri. Vive em Roma, onde se licenciou em Letras modernas. Publicou os livros de poesia: L’alba a piazza Navona (em 7 poeti del Premio Montale, 1992), Divisori orientali (2003, «Premio Alfonso Gatto»), Poesie della terra (2004), Il male inconsapevole (2005), Mappe colombiane (2007), Tevere in fiamme (2008, «Premio Sandro Penna») e Il fiume nel mare (2010, «Finalista Premio Camaiore»). Em março de 2013, o livro de contos "Un bosco nel muro". Desde 2006, coordena «Fili d’aquilone», revista web de “imágenes, ideas y poesía”. Organiza leituras e encontros literários, sobre tudo com o grupo «I libri in testa». Em 2011, fundou a editora «Edizioni fili d’Aquilone».



Rodolfo Dada nasceu em 5 de março de 1952, em San José. Estudou  Literatura e Ciências da Linguagem na Universidade de Costa Rica. Foi Superintendente do Mercado Oriental de Managua, durante os primeiros anos da Reconstrução da Nicaragua e atualmente trabalha no Hotel Laguna de Tortuguero, no Caribe de Costa Rica. Seu sobrenome vem de sua ascendência Palestina. Em 2004, obteve o Premio Nacional de Poesía de seu país. Algumas de suas obras publicadas são: Cuajiniquil; Abecedario del Yaqui (Premio Carmen Lyra, 1981), Kotuma, la Rana y la Luna (Premio Una-Palabra, 1984), La voz del caracol (Literatura infantil), De azul el mar (Premio Nacional de Poesía “Aquileo J. Echeverría”, 2004) y El mar de la selva (Mención de Honor, Premio Casa de las Américas, 2009).



Jose Angel Leyva nasceu em  Durango, México, em 1958. É poeta, escritor, jornalista, editor e gestor cultural. Publicou mais de 15 livros, em sua maioria de poesia, alguns traduzidos ao italiano, francês, inglês, português e parcialmente ao polonês. Diretor de importantes revistas culturais,  entre elas Mundo, culturas y gente, Alforja e La Otra. Tem sido laureado com importantes prêmios nacionais como poeta e como jornalista cultural. Também foi diretor e fundador de coleções editoriais. Entre seus livros de poesia, destacam-se: Catulo en el destierro, Entresueños, El espinazo del Diablo, Habitantos, Aguja, Duranguraños, Tres cuartas partes, além das antologias Carne de imagen e Destiempo, que reúnem parte importante de sua obra.



Omar Lara nasceu em Nueva Imperial, Chile, 1941. Autor de mais de vinte livros de poesia, entre eles: Oh Buenas Maneras (Premio Casa de las Américas, La Habana 1975), Voces de Portocaliu, Papeles de Harek Ayun (Premio Casa de América, Madrid 2007). Tradutor de romeno. Fundador e diretor da revista TRILCE. Em 2007, obteve o Premio Internacional de Poesía Ciudad de Trieste e, em 2012, o Premio Internacional Rafael Alberti. Reside em Concepción, Chile.




Xavier Oquendo Troncoso nasceu em Ambato-Ecuador, 1972. Jornalista e Doutor em Letras e Literatura. Estudos em editoração de livros em Madrid. Publicou 12 títulos, entre poesia, conto,  literatura infantil e antologias da jovem literatura do Equador. Seu último livro “Salvados del naufragio” é uma recompilação de sua poesia, de 15 anos de trabalho. Representante do Equador em importantes encontros poéticos e literários na Espanha, México, Colômbia, Chile e Peru. Organizador das quatro edições das Jornadas de poesía joven del Ecuador e do Encuentro Internacional de poetas “poesía en paralelo cero”. Obteve diversos prêmios nacionais como  “Pablo Palacio”, em conto, e  Premio Nacional de poesía, em 1993. Integra antologias nacionais e internacionais. Recebeu de seu município, em 1999, a condecoração Juan León Mera, por toda sua obra literária e de difusão. É editor, catedrático e editorialista de diversos meios de comunicação. Parte de sua poesia tem sido traduzida ao italiano e ao português.




Fredy Yazzed nasceu em Bogotá, Colombia, 1979. Como estudioso e pesquisador de literatura, escreveu Párrafos de aire, primeira antologia do poema em prosa colombiano, publicado pela editora da Universidad de Antioquia (Medellín, 2010). Publicou os livros de poesia: La sal de la locura, (Premio Nacional de Poesía Macedonio Fernández,Buenos Aires, 2010) e El diario inédito del filósofo vienés Ludwig Wittgenstein (Ediciones Del Dock, Buenos Aires, 2012). Atualmente, cursa doutorado em Letras na Universidade de Buenos Aires, onde estuda as raízes do poema em prosa argentino.



Convidados das Províncias

Niní Bernardello (Tierra del Fuego), Emiliano Cruz Luna (La Plata), Rodolfo Godino (Córdoba), Ana María Pedernera (Lobos), Ramón Minieri (Río Negro), Alberto Tasso (Santiago del Estero), Priscila Vallone (Tierra del Fuego),Tomás Watkins (Neuquén)



Convidados da cidade de Buenos Aires

Daniel Calmels, Dolores Etchecopar, Javier Galarza, Juan García Gayo, Noé Jitrik, Claudia López, Lucio Madariaga, Jorge Ariel Madrazo, Eduardo Mileo, Hugo Mujica, Martín Rodríguez, Mariano Schuster, Emmanuel Taub, Juano Villafañe, Paulina Vinderman



3.6.13

Poesia Gaúcha Contemporânea


Poesia gaúcha contemporânea - Assembleia Legislativa do RGS

Lançamento da Coletânea de Poesia Gaúcha Contemporânea da Assembleia Legislativa do RGS


A obra é comemorativa aos 100 anos da Biblioteca Borges de Medeiros. O livro é gratuito: a edição impressa será distribuída prioritariamente às bibliotecas de instituições públicas e a versão digital ficará disponível no portal da biblioteca da Assembleia.

Comissão Editorial:

Caio Ritter (AGES), Dilan Camargo (organizador),
Jussara Haubert Rodrigues (CRL),
Márcia Ivana de Lima e Silva (IL/URFRGS),
Maria Elisa Carpi (poeta).


A cerimônia de lançamento aconteceu no Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa.

Integro o quadro dos 91 poetas gaúchos da década:

Ademir Antonio Bacca, Alexandre Brito, Álvaro Santi, Ana Mariano, André Dick, Armindo Trevisan, Berenice Sica Lamas, Carlos Eduardo Caramez, Carlos Nejar, Carlos Saldanha Legendre, Carlos Urbim, Celia Maria Maciel, Celso Gutfreind, César Pereira, Cinthya Verri, Claudia Schroeder, Cleci Silveira, Cleonice Bourscheid,Deisi Scherer Beier, Denise Freitas, Diego Grando, Diego Petrarca, Dilan Camargo, dois Santos dos Santos,Eduardo Dall'Alba, Eduardo Sterzi, Élvio Vargas, Escobar Nogueira,Everton Behenck, Fabrício Carpinejar , Flávio Luis Ferrarini, Gláucia de Souza, Guto Leite, Humberto Zanatta, Isaac Starosta, Israel Mendes, Ivanise Mantovani, J. C. Cardoso Goularte, Jaime Medeiros Júnior, Jaime Vaz Brasil, Jaime Paviani, Joaquim Moncks, Jorge Adelar Finato, José Antônio Silva, José Eduardo Degrazia, José Hildebrando Dacanal, José Weis, Laís Chaffe, Lau Siqueira, Liana Timm, Lorena Martins, Lucas Reis Gonçalves, Lúcia Bins Ely, Luiz Coronel, Luiz de Miranda, Lya Luft, Marco Celso H. Viola, Marco de Menezes, Maria Carpi, Maria do Carmo Campos, Marilice Costi, Mario Pirata, Marlon de Almeida, Marô Barbieri, Martha Medeiros, Nei Duclós, Nilva Ferraro, Oracy Dornelles, Orlando Fonseca, Ozy Pinheiro Souto, Paula Taitelbaun , Paulo Becker, Paulo Bentancur, Paulo Roberto do Carmo, Paulo Seben, Pedro Marodin, Pedro Stiehl, Raul Machado, Ricardo Primo Portugal, Ricardo Silvestrin , Roberto Medina, Ronald Augusto, Rossyr Berny, Sandra Santos, Sergio Napp, Sidnei Schneider, Susana Vernieri, Suzana Vargas, Tânia Lopes, Telma Scherer, Vitor Biasoli.



 fonte: al.rs.gov.br
 foto:  Marcelo Bertani



livro grátis
livro grátis














www.al.rs.gov.br/biblioteca






1.6.13

Projeto Instante Estante de Incentivo à Leitura


leitura
abrindo o evento de lançamento da coleção Instante Estante


Projeto Instante Estante de Incentivo à leitura - livrosgrátis




O Projeto reúne vários nomes da poesia contemporânea que foram convidados a integrar as atividades da Feira do Livro de Porto Alegre: Alexandre Brito, Alice Ruiz, César Pereira, Juliana Meira, Laís Chaffe, Lau Siqueira, Mario Pirata, Nydia Bonetti, Ricardo Portugal, Ricardo Silvestrin, Wilmar Silva (Brasil). Antonio Arroyo Silva ( Ilhas Canárias), E. M. de Melo e Castro (Portugal) e Leo Lobos (Chile). E eu(Sandra Santos, curadora).
O  programa UniVerso ,do Departamento de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tiambém esteve presente e realizou sua primeira edição na Feira do Livro, com a participação dos poetas Alice Ruiz, E. M. de Melo e Castro e Leo Lobos que falaram de literatura e leram poemas de seus livros do Projeto Instante Estante.
A atividade foi uma parceria do UniVerso com o Instante Estante, através do Castelinho do Alto da Bronze, patrocinador do projeto e que viabilizou a vinda dos poetas a Porto Alegre.


mesa de autógrafos do lançamento

A Coleção Instante Estante é um projeto de incentivo à leitura da Castelinho Edições, editora sem fins lucrativos, patrocinada exclusivamente pelo Castelinho do Alto da Bronze Espaço Cultural. O INSTANTE ESTANTE distribui livros novos, editadatos especialmente para o projeto. Os Livros chegam ao leitor gratuitamente, seja através da "Intervenção Urbana nas Capitais", seja pela distribuição em pontos de leitura e bibliotecas comunitárias.


Leo Lobos, Alice Ruiz e Melo e Castro


As intervenções Urbanas do Instante Estante já distribuiram livros em Porto Alegre: 120 livros durante a 56ª Feira do Livro, em 2010; em Brasília: 120 livros no Verão Literatura Brasília, em 2011; em João Pessoa: 80 livros no Agosto das Letras, em 2011; em Belo Horizonte: 120 livros na Intervenção Urbana da Praça Sete, em 2011; em Porto Alegre: 120 livros no estande da Câmara Municipal, 57ª Feira do Livro, 2011; no Forum Social Mundial 2012: 120 livros no Acampamento da Juventude, 2012. São editados de 300 a 450 livros por título. Além de mais de 800 kits enviados a bibliotecas do interior do Amazonas, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraíba, Minas Gerais, São Paulo. Também Bolívia, Peru e Argentina.



autógrafos - Instante Estante













30.5.13

Poesia traduzida - Mario Bojórques




Poesia de Mario Bojórquez
traduzida por Sandra Santos



Chinatown

o ancião - a cerca do fogão
trincha o pato
depois despedaça
sobre a tábua engordurada
- o velho Won Ton
conhece todos os fungos comestíveis
e todas as pimentas - disse
ao mesmo tempo que
me dava água na boca


Chinatown


El anciano se acerca al fogón
y trincha el pato
que después partirá
sobre la tabla aceitada.
-El viejo Won Ton
conoce todos los hongos
y todas las pimientas- dice
mientras
mi lengua se hace agua.


Mario Bojórquez

*do livro Pretzels


( tradução: Sandra Santos )


Mario Bojórquez ( Los Mochis, Sinaloa - México). Poeta, ensaísta e tradutor. escritor com vários prêmios literários como o Premio Estatal de Literatura de Baja California (1991), Premio Nacional de Poesía Clemencia Isaura (1995), Premio Nacional de Poesía Enriqueta Ochoa (1996), Premio de Poesía Abigael Bohórquez (1996), Premio Nacional de Poesía Aguascalientes (2007), Premio Bellas Artes de Ensayo Literario José Revueltas (2010), Premio Alhambra de Poesía Americana (2012) entre outros. Obras: Pájaros sueltos (1991), Contradanza de pie y de barro (1996), Diván de Mouraria (1999), Pretzels (2005), El deseo postergado (2007), Y2k (2009),"El cerro de la memoria" (2010),"El rayo y la memoria" (2012).



28.5.13

Poesia brasileira traduzida por Leo Lobos





Quatro poetas brasileiros apresentados e traduzidos por Leo Lobos:


Claudio Willer, Tanussi Cardoso, Herbert Emanuel e Sandra Santos


A diversidade de linguagens - longe de ser um castigo, como supõe o mito de Babel - se faz presente para que passemos com êxito pelo "teste do estrangeiro". A teoria e a prática se desafiam e se complementam, tal que a reflexão sobre a tradução seja inseparável da experiência de traduzir. Esta seleção de poesia brasileira contemporânea se apresenta como possibilidade de descobrimento, de encontro e reencontro com o Brasil de nossos dias. Tentei buscar sentido por sentido e não letra por letra; ou seja, significação ao ser pronunciado em castelhano, um som português. Estes poetas, Claudio Willer, Tanussi Cardoso, Herbert Emanuel e Sandra Santos, nos mostram parte deste imenso mar orgânico e vivo da escrita brasileira.Compartilho mundos e imaginários, reais e virtuais, dos quais eles também se nutrem. Sim, eles ouvem música erudita, mas também Rap e Rock and roll. Gostam de cinema, sem deixar de navegar na internet e de explorar meios como blog ou twitter, ampliando suas redes de comunicação virtual com outros poetas. Criam revistas de papel e eletrônicas, se aventuram no campo da videoarte. Enfim, são autores atualizados que insistem em viver seu tempo, com direito a explorar todas as possibilidades oferecidas pela tecnologia, verbal e não-verbal, para a criação em nossa época. Navegantes que costumamos frequentar o Brasil, nos descobrimos surpreendidos e maravilhados ante o tamanho do domínio ativo do idioma do Brasil. Significação e som, pois, se em algo diferem as línguas é no recorte fonético que fazem dos sons pronunciados pelo ser humano. O desejo de compreender o diferente e a necessidade de aproximar-se da alteridade sem anulá-la. Compreender é traduzir. Tentar entender o estrangeiro. A poesia desses autores é arte. E é esta visão que deve perdurar. A proveitosa sensação de estar frente a uma legítima expressão de vida e de linguagem. Isso que antigamente se chamava poesia.



Claudio Willer


ANOTACIONES PARA UN APOCALIPSIS

(Publicado en Anotações para um Apocalipse - Anotaciones para un apocalipsis, 1964)


I


La Fiera volverá, con su rostro de trenzas de plata, desnuda sobre el mundo. La Fiera volverá, metálica en la convulsión de las tempestades, musgosa como la noche de los jarrones de sangre, fría como el pánico de las arenas menstruadas y la ceguera fija contra un reloj antiguo. Un sueño asírio, es nuestra dimensión. Un cráneo amargo, velando con la inconstancia del sarcasmo en medio de emboscadas de insectos, un cráneo azul y surcado, a la ventana en los momentos de espera, un cráneo negro y fijo, separado de las manos que lo amparan por tubos y esfumando los bronquios de la memoria - así se solidificaran las vertiginosas jugadas sobre el barro divino. El incesto es una tempestad de lunas gelatinosas y la más bella aspiración de los miembros disociados. En cada órbita una avalancha de campanas fértiles y de arcángeles terrestres por la sombra. El incesto es el sueño de una matriz convulsiva y la más profunda ansia de las cigarras. Vulvas de cemento armado y urnas ensangrentadas, vaginas impasibles contra un cielo de veludo, guardianes de océanos imposibles. Millones de láminas sirven de puente para los deseos obscuros - la más afilada traba a nuestra Verdad.



Tanussi Cardoso


DEL APRENDIZAJE DEL AIRE

Imaginemos el aire suelto en la atmósfera
el aire inexistente a la luz de los ojos
imaginemos el aire sin sentirlo
sin el sofocante olor de las abejas
el aire sin cortes sin fronteras
el aire sin el cielo
el aire del olvido
imaginémoslo fotografiado
fantasma sin textura
moldura inerte
cuadro de sugestiones y apariencias
imaginemos el aire
paisaje blanco sin el poema
vacuo impregnado de Dios
el aire que sólo los ciegos ven
el aire el silencio de Bach
Imaginemos el amor
así




DO APRENDIZADO DO AR

imaginemos o ar solto na atmosfera
o ar inexistente à luz dos olhos
imaginemos o ar sem senti-lo
sem o sufocante cheiro de abelhas e zinabre
o ar sem cortes e fronteiras
o ar sem o céu
o ar de esquecimentos
imaginemos fotografá-lo
fantasma sem textura
moldura inerte
quadro de sugestões e aparências
imaginemos o ar
paisagem branca sem o poema
vácuo impregnado de Deus
o ar que só os cegos vêem
o ar silêncio de Bach
imaginemos o amor
assim como o ar



Herbert Emanuel



RES

(Fragmento)


Lo real

con sus dos mil círculos
concéntricos
sus formas de agua
su gula de caos
desde la nada
lo real
corre(en)ti
es tu líquida morada


Lo real

con su aire espeso
sus sobras (pliegues) del cuerpo
lo incestuoso
lo injertado
a tiros de quema-ropa
lo real te provoca
te enfurece



Lo real

con su insecto de luz
se abre en piedra
con su faro nos conduce
con su furia nos enreda


Lo real - ¿crees? -


res
ist
e



RES

o real
com seus dois mil círculos
concéntricos
suas formas de agua
sua gula de caos


desde o nada
este real
corre(em)ti
é tua líquida morada


o real
com seu ar espesso
suas sobras (dobras) do corpo
o incesto
o enxerto
com tiros à queima-roupa
este real te provoca
ferve teus nervos


o real


com seu inseto de luz
abre-se em pedra
com seu faro nos conduz
com sua fúria nos enreda


o real – crês? –


res
ist
e




Sandra Santos


EL DISFRAZ


El disfraz testimonio
de hablas no grabadas
actas no leídas

el disfraz vistiendo
una percha que escondía
un clavo oxidado

el disfraz en luto una sentencia
muda

lo general
poco a poco
olvidando todo

el disfraz y el agujero de la bala
en la solapa de la muerte


O Capote


o capote testemunhava

falas não gravadas
atas não lidas

o capote vestia
um cabide que escondia
um prego enferrujado

o capote em luto sentenciava
mudo

e o general
pouco aos poucos
esquecia tudo

o capote e o furo da bala
na lapela da morte



SOBRE O TRADUTOR
Leo Lobos (Santiago de Chile, 1966). Artista multifacetado. Poeta, ensaísta, tradutor e artista visual. Laureado UNESCO-Aschberg de Literatura 2002. Realiza uma residência criativa em CAMAC, Centre d´Art Marnay Art Center en Marnay-sur-Seine, Francia, nos anos de 2002-2003, com apoio do Fundo Internacional para a Cultura e a Fundacão francesa Frank Ténot. Realizou exposições de seus desenhos, pinturas e uma residência criativa, nos anos de 2003 até começo de 2006, no centro de cultura Jardim das Artes, em Cerquilho, SP, Brasil. Publicou, entre outros: Cartas de más abajo (1992), +Poesía (1995), Perdidos en La Habana y otros poemas(1996), Ángeles eléctricos (1997), Camino a Copa de Oro (1998), Turbosílabas. Poesía Reunida 1986-2003 (2003), Un sin nombre (2005), Nieve (2006), Vía Regia (2007), No permitas que el paisaje este triste (2007). Sua obra foi sido traduzida parcialmente ao português, inglês, italiano, árabe, francês e holandês. Suas fotografías, ensaios, desenhos e poemas foram publicados em revistas e antologias no Chile, Argentina, Peru, Brasil, Cuba, Estados Unidos, México, Tunísia, Espanha, Portugal, França, Itália e Alemanha. Como tradutor em língua portuguesa, realizou versões em castelhano de autores como Roberto Piva, Hilda Hilst, Claudio Willer, Tanussi Cardoso, Helena Ortiz, José Castelo entre otros. Seus desenhos, poemas visuais e pinturas fazem parte de coleções, particulares e públicas, no Chile, México, Estados Unidos, Brasil, Espanha e França. Em 2003 recebeu bolsa artística do Fundo Nacional da Cultura e das Artes do Ministerio de Educação do Chile e, em 2008, bolsa de criação para escritores profissionais do Conselho Nacional da Cultura e das Artes do Chile. Fez parte da equipe de produção do V Encontro Internacional de poetas CHILEPOESIA, em 2008 e 2009, um dos principais festivais de poesía da América hispânica. Gestor de projetos na Corporación Cultural e Centro Cultural Chimkowe de Peñalolén, nos anos de 2009-2012. Co-editor da coleção de poesía INSTANTE ESTANTE, projeto com curadoria de Sandra Santos, que lançou 17 títulos de poesia na Feira Internacional do Livro de Porto Alegre, Brasil, em 2012.. Participou do V Festival Quebramar de Artes Integradas em Macapá, Brasil, em 2012. Atualmente, é gerente de gestão cultural da Fundação Hoppmann-Hurtado e do Espaço Cultural Taller Siglo XX - Yolanda Hurtado, em Santiago do Chile, cidade onde reside.


26.5.13

Conto de Clarice Lispector - Felicidade Clandestina


Clarice Lispector
Clarice Lispector - Giorgio de Chirico



Matando baratas com Clarice - histórias de Felicidade Clandestina 


A QUINTA HISTÓRIA

Esta história poderia chamar-se "As Estátuas". Outro nome possível é "O Assassinato". E também "Como Matar Baratas". Farei então pelo menos três histórias, verdadeiras, porque nenhuma delas mente a outra. Embora uma única, seriam mil e uma, se mil e uma noites me dessem.

A primeira, "Como Matar Baratas", começa assim: queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a receita de como matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, farinha e gesso. A farinha e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria o de-dentro delas. Assim fiz. Morreram.

A outra história é a primeira mesmo e chama-se "O Assassinato". Começa assim: queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me. Segue-se a receita. E então entra o assassinato. A verdade é que só em abstrato me havia queixado de baratas, que nem minhas eram: pertenciam ao andar térreo e escalavam os canos do edifício até o nosso lar. Só na hora de preparar a mistura é que elas se tornaram minhas também. Em nosso nome, então, comecei a medir e pesar ingredientes numa concentração um pouco mais intensa. Um vago rancor me tomara, um senso de ultraje. De dia as baratas eram invisíveis e ninguém acreditaria no mal secreto que roía casa tão tranqüila. Mas se elas, como os males secretos, dormiam de dia, ali estava eu a preparar-lhes o veneno da noite. Meticulosa, ardente, eu aviava o elixir da longa morte. Um medo excitado e meu próprio mal secreto me guiavam. Agora eu só queria gelidamente uma coisa: matar cada barata que existe. Baratas sobem pelos canos enquanto a gente, cansada, sonha. E eis que a receita estava pronta, tão branca. Como para baratas espertas como eu, espalhei habilmente o pó até que este mais parecia fazer parte da natureza. De minha cama, no silêncio do apartamento, eu as imaginava subindo uma a uma até a área de serviço onde o escuro dormia, só uma toalha alerta no varal. Acordei horas depois em sobressalto de atraso. Já era de madrugada. Atravessei a cozinha. No chão da área lá estavam elas, duras, grandes. Durante a noite eu matara. Em nosso nome, amanhecia. No morro um galo cantou.

A terceira história que ora se inicia é a das "Estátuas". Começa dizendo que eu me queixara de baratas. Depois vem a mesma senhora. Vai indo até o ponto em que, de madrugada, acordo e ainda sonolenta atravesso a cozinha. Mais sonolenta que eu está a área na sua perspectiva de ladrilhos. E na escuridão da aurora, um arroxeado que distancia tudo, distingo a meus pés sombras e brancuras: dezenas de estátuas se espalham rígidas. As baratas que haviam endurecido de dentro para fora. Algumas de barriga para cima. Outras no meio de um gesto que não se completaria jamais. Na boca de umas um pouco da comida branca. Sou a primeira testemunha do alvorecer em Pompéia. Sei como foi esta última noite, sei da orgia no escuro. Em algumas o gesso terá endurecido tão lentamente como num processo vital, e elas, com movimentos cada vez mais penosos, terão sofregamente intensificado as alegrias da noite, tentando fugir de dentro de si mesmas. Até que de pedra se tornam, em espanto de inocência, e com tal, tal olhar de censura magoada. Outras - subitamente assaltadas pelo próprio âmago, sem nem sequer ter tido a intuição de um molde interno que se petrificava! - essas de súbito se cristalizam, assim como a palavra é cortada da boca: eu te... Elas que, usando o nome de amor em vão, na noite de verão cantavam. Enquanto aquela ali, a de antena marrom suja de branco, terá adivinhado tarde demais que se mumificara exatamente por não ter sabido usar as coisas com a graça gratuita do em vão: "é que olhei demais para dentro de mim! é que olhei demais para dentro de..." - de minha fria altura de gente olho a derrocada de um mundo. Amanhece. Uma ou outra antena de barata morta freme seca à brisa. Da história anterior canta o galo.

A quarta narrativa inaugura nova era no lar. Começa como se sabe: queixei-me de baratas. Vai até o momento em que vejo os monumentos de gesso. Mortas, sim. Mas olho para os canos, por onde esta mesma noite renovar-se-á uma população lenta e viva em fila-indiana. Eu iria então renovar todas as noites o açúcar letal? como quem já não dorme sem a avidez de um rito. E todas as madrugadas me conduziria sonâmbula até o pavilhão? no vício de ir ao encontro das estátuas que minha noite suada erguia. Estremeci de mau prazer à visão daquela vida dupla de feiticeira. E estremeci também ao aviso do gesso que seca: o vício de viver que rebentaria meu molde interno. Áspero instante de escolha entre dois caminhos que, pensava eu, se dizem adeus, e certa de que qualquer escolha  seria a do sacrifício: eu ou minha alma. Escolhi. E hoje ostento secretamente no coração uma placa de virtude: "Esta casa foi dedetizada".

A quinta história chama-se "Leibnitz e a Transcendência do Amor na Polinésia". Começa assim: queixei-me de barata

20.5.13

Galeria


arte naif
AUDREY HEPBURN de Eloir Amaro Jr



O artista naïf brasileiro Eloir Amaro Jr e suas incríveis babuszkas


em homenagem às estrelas de Hollywood: AUDREY HEPBURN no filme Bonequinha de Luxo, JULIE ANDREWS no filme Mary Poppins, VIVIAN LEIGH no filme E o Vento Levou, AMY WINEHOUSE, EDITH PIAF, CARMEM MIRANDA






arte naif
JULIE ANDREWS, de Eloir Amaro Jr



arte naif
VIVIAN LEIGH, de Eloir Amaro Jr




arte naif
AMY WINEHOUSE, de Eloir Amaro Jr




arte naif
EDITH PIAF, de Eloir Amaro Jr




arte naif
CARMEM MIRANDA, de Eloir Amaro Jr





visite o blog do artista Eloir Jr





12.5.13

Livros


Iara -sereia
ilustração do livro Uiara


Uiara, uma lenda da Amazônia, na coleção Poemitos, meu primeiro livro infantil


"arapongas dão marteladas
tocam gongo na mata
sinfonia de matracas
vibrando ao som de uma ária
que vem do canto da Iara"

Sandra Santos


Vem de muito longe minha paixão pelo universo indígena e pelos mitos brasileiros. A convivência com os Guarani e Kaigangs deixou histórias dormitando no meu imaginário. O convite da Laís Chaffe para integrar a coleção Poemitos foi a chance de despertá-las.

UIARA e UAKTI não foram escolhidos ao acaso - num formato vira-vira, os dois mitos "conversam" entre si. Tanto eu quanto Alexandre Brito, autor de UAKTI, temos estreita relação com a música. Os dois títulos se unem para resgatar da cosmogonia indígena essas fantásticas lendas relacionadas ao canto e ao sopro. UAKTI fala de um índio com buracos no corpo, como uma flauta orgânica ao sabor do vento. UIARA, ou Iara, traz com ela todo o encanto da floresta Amazônica, do Peixe-boi e da Vitória Régia. UIARA pretende levar o leitor para um mundo de descobertas. E os pequenos exploradores sairão desse mato de mãos dadas, ansiosos por embarcar numa viagem de verdade, para ver in loco as estrepolias do sagui-leãozinho, as plantas carnívoras (de nome droseras) e, quem sabe, ouvir uma ária tão maravilhosa, que só o canto da Iara!
Uiara -  Uma lenda da Amazônia
Sandra Santos


livro: UIARA
autor: Sandra Santos
ilustração: Alexandre Oliveira

editora: Casa Verde









Série PoeMitos da Casa Verde, em mais uma edição da Festinha Cidade Poema - parceria entre o projeto homônimo e a FestiPoa Literária. Dedicada ao público infantil, principalmente crianças do pré-escolar e dos primeiros anos do Ensino Fundamental, a série reúne seis autores, em três livros doisem-um, estilo vira-vira. Os seis primeiros títulos são: Medusa/ Perseu (Laís Chaffe e Ana Mello), Uakti/Uiara (Alexandre Brito e Sandra Santos) e Vênus/Cupido (Christina Dias e Marô Barbieri). Os livros são ilustrados por Alexandre Oliveira e têm planejamento gráfico e capa de Guilherme Smee. Sempre em versos, as duplas de autores criaram livremente a partir de mitos e lendas complementares. Todos em letra bastão, os poemas são apresentados de forma a facilitar a leitura por parte das crianças pequenas, mas também atraem os maiores, apostando no humor e na leveza. A Série PoeMitos integra o projeto Cidade Poema, que programou diversas atividades para outubro e novembro. Durante a Feira do Livro, haverá encontro em parceria com o projeto Leitor de Rua, da escritora Marô Barbieri, das 15h às 16h30min do dia 5 de novembro (sábado); e conversa com os autores, seguida de sessão de autógrafos, dia 6 de novembro (domingo), às 17h, sempre no Cais do Porto. Cada livro dois-em-um tem um total de 24 páginas, formato 20 x 23 cm, miolo em papel couché liso 150g em quatro cores, capa em supremo 300g em quatro cores e com plastificação fosca e verniz localizado.


www.casaverde.com


5.5.13

Codigo Coletivo - Sandra Santos


CÓDIGO COLETIVO - poesia e QR CODE


Exposição Código Coletivo - Poesia capturada no celular


Exposição da artista plástica Sandra Santos no Memorial do Rio Grande do Sul é uma realização da Feira do Livro de Porto Alegre, da Câmara Riograndense do Livro, do Memorial do Rio Grande do Sul, da Secretaria do Rio Grande do Sul e tem ainda o apoio do Projeto Cidade Poema. Foram mais de cem poetas contemporâneos capturados no celular, através da tecnologia QR CODE e colados nos muros das Escolas.

A exposição desde o Castelinho do Alto da Bronze até ganhar o mundo!

Uma experiência poética em QR CODE, tipo de matrix barcode, que reuniu mais de 100 poetas contemporâneos. Cada poema resultou num codigo de barra bidimensional para ser projetado em telões, capturado e lido via celular, pelos visitantes. Os códigos também foram transformados em adesivos e colados em algumas escolas da cidade, assim como transformados em estampas de camisetas e canecas, sorteadas entre as escolas que participaram. O Codigo coletivo também foi apresentado na Sala Museu, do Centro Cultura CEEE Érico Veríssimo, dentro do Evento Literário Porto Poesia, a convite do amigo e escritor Celso Viola. Também ocupou duas salas do Memorial do Rio Grande do Sul, a convite da Feira do Livro de Porto Alegre. Recentemente, fez parte da programação da 6ª Primavera dos Museus, no Museu Nacional de Poesia de Belo Horizonte, a convite da amiga e poeta Regina Melo. A primeira exposição foi em 2011, no Castelinho, e nesta tive a parceria do projeto Cidade Poema, da amiga e poeta Laís Chaffe, para levar os Codigos em forma de adesivos, para colar nos corredores das escolas de Porto Alegre. O Codigo Coletivo também foi apresentado no premiado Projeto Terças Poéticas, do amigo e poeta Wilmar Silva, em Belo Horizonte.

Durante a exposição no Castelinho, várias escolas tiveram a oportunidade de visitar o Castelo, estudar os poetas participantes e concorrer aos brindes confeccionados especialmente para o evento: camisetas, canecas e adesivos com os poemas codificados para colar no próprio espaço escolar e reproduzir a experiência com seus celulares. os alunos que visitaram a exposição CÓDIGO COLETIVO, se divertiram "capturando" os poemas no celular e distribuindo por torpedo aos amigos.


Os poetas participantes:

Ademir Antonio Bacca - Ademir Assunção - Ademir Demarchi - Alberto Al-Chaer -Alexandre Brito - Allan Vidigal - Alma Welt - Alvaro Posselt - Ana Melo - Andrea Del Fuego -Andreia Laimer - Antonio Carlos Secchin - Armindo Trevisan - Astier Basilio - Augusto Bier - Barbara Lia - Barreto Poeta - Carlos Seabra - Celso Santana - Claudio Daniel - Cristina Desouza - Cristina Macedo - Diego Grando - Diego Petrarca - Dilan Camargo - E. M. De Melo e Castro - Edson Cruz - Eduardo Tornaghi - Elson Fróes - Estrela Ruiz Leminski - Fabio Bruggmann - Fabio Godoh - Fabricio Carpinejar - Floriano Martins - Frank Jorge - Frederico Barbosa - Gilberto Wallace Battilana - Glauco Mattoso - Gustavo Dourado - Hugo Pontes - Igor Fagundes - Isabel Alamar - Jacqeline Aisenman - Jiddu Saldanha - José Aluisio Bahia - José Antônio Silva - José Inácio Vieira de Melo - José Geraldo Neres - Juliana Meira - Jurema Barreto de Sousa - Laís Chaffe - Lau Siqueira - Leo Lobos - Leonardo Brasiliense - Liana Timm - Lucia Santos - Luis Serguilha - Luis Turiba - Luiz de Miranda - Mano Melo - Marcelo Ariel - Marcelo Moraes Caetano - Marcelo Soriano - Marcelo Spalding - Marcílio Medeiros - Marco Celso Ruffel Viola - Mario Pirata - Marko Andrade - Muryel de Zoppa - Nei Duclós - Nicolas Behr - Nydia Bonetti -Orlando Bona Fº - Paco Cac - Paula Taitelbaum - Paulo de Toledo - Paulo Henrique Frias - Paulo Prates Jr - Pedro Stiehl - Regina Mello - Renato de Mattos Motta - Ricardo Mainieri - Ricardo Portugal - Ricardo Pozzo - Ricardo Silvestrin - Rodrigo Garcia Lopes - Rogerio Santos - Romério Rômulo -Ronaldo Werneck - Sandra Santos - Sidnei Schneider - Silas Correa Leite - Susanna Busatto - Talis Andrade - Tchello de Barros -Telma Scherer - Tulio Henrique Pereira -Valeria Tarelho - Wasil Sacharuk -Wender Montenegro - Wilmar Silva 


Pegue seu celular e também participe dessa experiência: pause o vídeo e  e escaneie um código, a poesia é uma grata surpresa! (CODIGO COLETIVO no youtube: https://youtu.be/NmxeEm_mxQY )




Código Coletivo - Poesia e tecnologia



Poesia capturada no celular - Código Coletivo



Poesia escaneada  QR CODE