12.4.13

Galeria




"baby", 2006, óleo sobre linho




Entre o surrealismo e o fantástico, entre o macabro e o grotesco, as pinturas de Fulvia Zambon


A artista plástica italiana Fulvia Zambon nasceu em Turim e vive em Nova Yorque. Suas obras surrealistas tratam de cenas "cruas", beiram o grotesco, chocam o espectador. Alguns quadros lembram a dor e o fantástico da mexicana Frida Kallo.


"Eu retrato um mundo onde a carrinhos de bebê são veículo, casa e abrigo para estas estranhas jovens criaturas, alguns deles com membros amputados ou voando por um céu improvável"  (I depict a world where Baby-Carriages are a vehicle, home and shelter for strange young creature, some of them with missing limbs or flying in improbably sky)                               Fulvia Zambon





"baby", 2006, óleo sobre linho





"baby", 2006, óleo sobre linho





"pequena vida" (velório), 1999, óleo sobre linho




"canção para uma criança", 1996, óleo sobre linho




"caldo de galinha",1998, óleo sobre linho




"a rainha", 1997, óleo sobre tela








6.4.13

Galeria


cavalo - escultura de Heather Jansch

As incríveis esculturas da artista inglesa Heather Jansch

Sua primeira exposição já foi ao lado de "luminares" como Henry Moore, Hepworth Barbara, Frink Elizabeth , Anish Kapoor, Anthony Gormley e David Nash, no The Shape of The Century, cem anos de escultura, na Grã-Bretanha (2000). A artista inglesa Heather Jansch, nascida em Essex, 1948, esculpe cavalos, ursos, cervos e outros animais em tamanho natural, usando troncos de árvores.



cavalos - esculturas de Heather Jansch



urso - escultura de Heather Jansch









9.3.13

Pintura e Poesia


Flora Tristán

Arte e Poesia



O que há de comum em Paul Gauguin e Flora Tristan?

Paul Gauguin era neto da poetisa e revolucionária parisiense Flora Tristán (1803 -1844).
Flora Tristán nasceu em Paris, mas viveu parte de sua inf ância na Espanha, onde teve , desde cedo, contato com o pensamento socialista: Simón Bolívar era um dos frequentava a casa de sua mãe, inclusive circulam especulações de que seria seu pai biológico.
O interesse pela arte e pela Litografia levou Flora a trabalhar no atelier de seu futuro marido, aos 17 anos: um casamento abusivo do qual teve que fugir, levando seus dois filhos, cinco anos mais tarde. A justiça (ou seja, a injustiça da época), entregou a guarda do menino ao seu ex-marido e ela ficou apenas com a filha, Aline, que mais tarde seria a mãe do pintor famoso.
Diante de todas as injustiças sofridas, e do seu pensamento libertário, Flora se consagrou pioneira na luta pela emancipação das mulheres.
O livro Peregrinações de una Pária(1838) é um marco do pensamento feminista francês. Sua novela Méphis (1838) defende o divórcio e o amor livre. A União Obreira (1843) é um programa de organização de uma internacional de trabalhadores.


E quanto a Gauguin? Sua avó não sentiria orgulho algum do "homem" que foi. Salvo seu genial talento artístico, sua vida no Haiti demonstrou um homem violento e abusivo: chegou a manter em cárcere sua parceira nativa, após tê-la flagrado com outro. Mas, incontestável a influência poética de sua famosa avó nestes pequenos versos ensaiados numa carta ao amigo Monfried, onde confessa a ligação íntima de sua arte com a poesia:


aqui a poesia solta-se por si
e basta entregarmo-nos ao sonho
enquanto pintamos para sugerí-la


Paul Gauguin

Mario Vargas Llosa, escritor peruano, faz uma análise da trajetória de  FLora Tristán e o neto Paul Gauguin em sua novela histórica "El Paraíso en la otra esquina".

Para saber mais sobre Flora Tristán, assista este ótimo documentário:



















4.3.13

Galeria



ilusão de ótica
"auto-retrato" Oleg Shuplyak

O artista ucraniano Oleg Shuplyak, mestre da ilusão de ótica, brinca com os mestres Monet, Van Gogh, Renoir...



Олег Шупляк ou Oleg Shuplyak,  nasceu em Berezhany, pequena aldeia de Ternopil, Ucrânia, em 1967.  Arquiteto por formação, Oleg Shuplyak dedicou-se ao ensino da arte e à restauração, ao mesmo tempo em que participava de exposições em Kiev, Ternopil, Lviv, Ivano-Frankivsk, Lutsk, Khmelnytsky, Notthingham. Hoje é conhecido no mundo todo como o mestre do ilusionismo. É membro da União dos Artistas da Ucrânia e sua obra transita pelo pós-modernismo, abstracionismo e principalmente o surrealismo. Além disso, ele também faz  fotografia. 



ilusão de ótica
"Shevchenko"  (expoente da literatura ucraniana ) Oleg Shuplyak



ilusão de ótica
"Newton" Oleg Shuplyak



ilusão de ótica
"Van Gogh" Oleg Shuplyak


ilusão de ótica
"Monet" Oleg Shuplyak



ilusão de ótica
"Renoir" Oleg Shuplyak



ilusão de ótica
"Stalingrado" Oleg Shuplyak






3.3.13

Revistas de literatura


exposição de Revistas do Acervo de Paco Cac, - curadoria de Alexandre Brito

Balaio de Revistas


Degusto, neste momento, alguns periódicos? literários: um exemplar do Balaio e alguns números da Urbana, trazidos de Brasília. As revistas raras foram presente do amigo Paco Cac, que foi um dos editores da Urbana (de 1980 até o início dos anos 1990) e também da revista Gandaia (década de 70), amas no Rio de Janeiro. Ele próprio, Paulo Cezar Alves Custódio, dedica-se à pesquisa e ao acervo de revistas sobre literatura publicadas no Brasil. É autor/organizador do Volume I Revistas Literárias Brasileiras 1970 - 2005 editado por Cesb Centro De Ensino Superior Do Brasil em 2018, fonte obrigatória de referência sobre o assunto. Paco Cac  edita, atualmente, a revista Z, com colaboração do poeta gaúcho Alexandre Brito. Mas, falaremos mais sobre a Revista Z em outra ocasião! Vamos ao balaio:

Leio já no primeiro parágrafo, uma advertência: "Este é um balaio de poemas gráficos e visuais impuros. O espaço aberto pela antropofagia, de um lado, e pelo poema/processo, do outro, encontra - nesta folha - o lugar adequado para uma atividade produtiva que resultará, sob o signo do experimental, numa prática necessariamente revolucionária e (anti)literária".

Balaio:
Publicação off-set, folha ofício dobrada ao meio, ou seja,  quatro páginas. Rio de Janeiro, RJ. Editores: João Carlos Sampaio, Samaral; Cármen Saporetti ; Moacy Cirne;  Nenn. Contém propostas e poemas experimentais. Slogan: “Viver com os olhos livres”. Publicação de vanguarda.

Muitas publicações semelhantes surgiram e desapareceram entre as décadas de 60 e 80. Por isso, a importância de guardá-las entre as mãos.

Aqui, uma pequena relação das que eu gostaria de encontrar por aí, sem compromisso, numa empoeirada prateleira de sebo:

O Guaíba
"Periódico Semanal, Literário e Recreativo". Primeiro jornal essencialmente dedicado às letras, no Rio Grande do Sul. Circulou de 3 de agosto de 1856 a 26 de dezembro de 1858, totalizando cento e vinte números. Editor: Carlos Jansen.

Abre-Alas
Revista, a princípio, mimeografada, seis páginas, de publicação quinzenal da "Sociedade de Articultura". O número 1 não registra data, presumindo-se o ano de 1981, pois o número 5 é de 26/09/1981. Posteriormente, impressa em off-set, com quatorze páginas e tiragem de 1.500 exemplares. Juiz de Fora, MG. Entre os participantes constam: Fernando Fábi Fiorese Furtado, João Batista Jorge, José Alexandre Marino, Rejane Villanova, José Henrique da Cruz, Leila Miccolis, P.J. Ribeiro, Suraia Mockdece, Alcides Buss, Cláudio Feldman, Teresinha Pereira. Contém poesias de várias tendências e indicações de livros. Na última página há sempre a sessão “na garupa”, com um poeta focalizado. Revista literário-poética

Alegria Blues Banda:
Das duas publicações não constam data, mas depreende-se, pela leitura dos textos, que uma é de 1979 e a outra de 1980. A primeira é publicação grampeada, com vinte e quatro páginas: a página inicial com formato de 22 X 11cm, sendo cada página seguinte aumentada de cerca de um centímetro até chegar a 21,6cm, em papéis coloridos, inclusive entremeados com folhas de jornal. Belo Horizonte, MG. A segunda revista é grampeada, off-set, formato 22 X 16,5cm. Publicação do grupo “Cem Flores”. Entre os participantes constam: Luciano Cortez, Marcelo Dolabella, Avanilton de Aguillar, Paulo Bruscky, Lúcia Villares, Nicolas Behr, Tanussi Cardoso, Carlos Araújo, Carlos Barroso, André Bueno, Juca, Ilka Boaventura. Contém poemas, ilustrações, contos, quadrinhos, endereços de autores independentes, propostas visuais.

Alfa Centauri:
Revista, off-set, em geral com formato de 3,4 X 16cm ( o número 22 tem 26 X 20cm), com número de páginas variando de duas a setenta. Belo Horizonte, MG. Editora: Zulmira Lins. O número 5 é de julho de 1973. Entre os colaboradores constam: Lauro de Oliveira Lima, Teresinha Pereira, Leila Miccolis, Luís, João Carneiro. Contém ilustrações, poesia, artigos, anúncios, entrevistas, críticas, contos, textos, notícias. Revista Cultural e literária.

Americanto:
Revista, off-set, grampeada, formato 22 X 16cm, com oito páginas, posteriormente aumentada para doze. Recife, PE. Direção: Fátima Ferreira e Hector Pellizzi. Colaboradores: Caesar Sobreira, Alberto da Cunha Melo, Ana Lúcia Bandeira, Daniel Santiago. Entre os colaboradores constam: Andréa Mota, Manuel Constantino, Wir Caetano, Kátia Bento, Sérgio Lima Silva, Nicolas Behr, Ulisses Tavares, Leila Miccolis, Cláudia Juhareiz Correya, Samuel Santos, Barreto, Cláudio Feldman. O número 1 é datado de novembro/1981. Contém ilustrações, entrevistas, poesia, notícias, recados, e, a partir do número dois, fotos. Revista literária.

Anima:
Revista cultural, off-set, formato 30 X 23cm, capa policrômica, miolo preto e branco, cinqüenta e oito páginas, bimestral. Editora Nuvem Cigana. Rio de Janeiro, RJ. Editores: José Carlos Capinam e Abel Silva. A edição 192 é de abril /maio de 1976.

Antena:
Jornal cultural, mini tablóide, off-set, em preto e branco, formato 36 X 28cm. Editor: Alberto Silva. Colaboradores: Vicente Portela e Leonardo Fróes. A edição número 1 é de 20 de março de 1990; a edição número 2 é de julho de 1990. O jornal tem desenhos, poesias, artigos sobre literatura e resenhas de livros.

Apenas:
Revista, grampeada, a princípio mimeografada, posteriormente em off-set, formato 21,6 X 16,5cm. Editada pelo grupo do mesmo nome. Bauru, SP. Editores: Reinaldo Tech, Raul Gonçalves Paula, Marco Antônio (Kako), Luís Vítor Martinello, Alberto Sérgio Sanchez, André Luís Mizokami, Luiz Carlos Oliveira. O número 2 é datado de setembro de 1980, distribuição gratuita, tiragem de 1.500 exemplares em abril de 1981 e de 2000 em maio /junho/julho e agosto de 1981. Contém poesias, ilustrações, anúncios, notícias. Revista literária do Grupo Apenas, exclusivamente poética.

Aqui Ó:
Publicação variando de folhas e formatos: número um com vinte páginas, número dois com dezesseis, ambos possuindo 16 X 10,8cm; os números três e quatro com doze, formato 22 X 16cm, mimeografada. Belo Horizonte, MG. Publicação do grupo “Cem Flores”. Os três primeiros números são de 1979, sem indicação do mês; o número 4 não possui registro sequer de ano. Entre os colaboradores constam: Marcelo Dolabela, Ilka Boaventura, Avanílton de Aguiar, Jair, Juca, João Batista Jorge, Marcoantonio, Elmer Ferreira Luiz. Contém ilustrações, poesias, algumas propostas visuais. Publicação literário-poética.

Arjuna – O canto guerreiro:
Revista, off-set, grampeada, formato 27,1 X 18,2cm. Rio de Janeiro, RJ. Edição: Paulo Luís Barata. Participação: Orlando Pinho, Dulce Tupy, Antônio Risério, Augusto de Campos, Jorge Mautner, Gilberto Gil, Smetak, Paulo Leminsky, Sérgio Natureza. O número especial é datado de 1981, sem registro do mês. Contém fotos, desenhos, poesia, ilustrações, entrevistas. Publicação cultural, com enfoques em poesia e música popular brasileira.

Arsenal de Cultura:
Revista, off-set, formato horizontal com 14,5 X 21,5cm, com cerca de quarenta e oito páginas, sendo o número um datado de janeiro de 1981 (grampeado) e o número dois de outubro de 1981 (colado) com capa plastificada. Fortaleza, CE. Editor chefe: Floriano Martins. Conselho editorial: Aírton Monte, Nilto Maciel, Batista de Lima, Gentil Barreira, Paulo Barbosa, Lauro Júnior. Entre os inúmeros colaboradores constam: Akemi Waki, Aricy Curvello, Paulo Veras, João Carneiro, Eduardo Kac, Leila Miccolis, Paulo Nassar, Charles Keiffer, Salomão Souza. Contém poesias, fotos, textos, registro de livros, contos, pequenos ensaios, comentários. Tem como slogan: “Órgão oficioso da Oh!? Posição”. Revista cultural e literária

Arsenal de Literatura:
Revista, off-set, grampeada, formato de 19,1 X 15,1cm. Fortaleza, Ceará. Editor-chefe: Floriano Martins. Conselho editorial: Aírton Monte, Batista Lima, Paulo Barbosa. Entre os colaboradores constam: Ademir Assunção, Zé Pinto, Paulo Gurgel, Carlos da Silva. Projeto inicial datado de novembro de 1980. Contém ilustrações, fotos, poesias, contos. Revista literária.

Artes:
Jornal, off-set, formato 32,3 X 24cm, com dezesseis páginas, editado em São Paulo, SP. Tiragem: 3.000 exemplares. Diretor: Carlos Von Schmidt. Entre os colaboradores constam: Roberto Piva, Flávio Motta, Marcelo Kahns, Yolanda Amidei. O número 43 é datado de julho de 1975. Contém entrevistas, fotos, críticas, ensaios, artigos, ilustrações. Revista cultural, enfocando predominantemente cinema e artes visuais.

Ato do Vapor:
Publicação mimeografada, folha única (verso e reverso) tamanho ofício, o número zero sem indicação de ano ou data. Participantes: Cosmar, Leonel. O número 1 é editado de 1979. O número 11, especial, foi feito em Salvador, BA, e dele constam: Samaral, Zeca Magalhães, Geraldo Maia. Os participantes fazem parte do Movimento Poetas na Praça e foram presos, inclusive, por recitarem poemas desta publicação, sendo essa apreendida. Contém poesia, fotos, ilustrações, além de alguns projetos visuais. Publicação poético-literária, de linha anarquista.

Blocos:
Jornal cultural, formato de 34 X 28cm, em preto e branco, off-set, bimestral, tiragem de 3.000 exemplares. Editores: Urhacy Faustino e Leila Míccoles. Editado no Rio de Janeiro, RJ. A edição número 1 é de março /abril de 1991 e contém quatro páginas. Já a edição número 4 conta com sete páginas. O jornal contém cartas dos leitores, poesia, programação de eventos culturais, ilustrações e horóscopo.

Boca:
Página de literatura e humor, tablóide, em off-set. Encartada no jornal Correio de Curitiba, PR, com circulação aos sábados. Entre os colaboradores constam: Paulo Leminski, Henfil, Luiz Fernando Veríssimo, Tiago, Adherbal F. Sá Júnior. O número 22 é de 28 de abril de 1979. Contém charges e textos de humor.

Cascavel sem Chocalho Perdeu de Touca:
Revista, off-set, formato 22 X 16cm. Goiânia, Goiás. Editores: Dourivan e Magel Felix. Entre os colaboradores constam: Lu de Oliveira, Joel da Corte, Eduardo Leão, Naief Alassai, Samuel Rocha, Phaulo Gonçalves, Tagore Biran. O número 1 é datado de 1981, sendo todas essas informações extraídas da carta explicativa que acompanha a publicação. Contém poemas, propostas visuais. Publicação cultural e literária.

A Cigarra:
Boletim, mimeografado, grampeado, formato ofício, doze páginas impressas de um só lado. Santo André, São Paulo. Editores: Jurema Barreto de Souza e Terezinha Sávio. Entre os colaboradores constam: Nivaldo Menezes, Moduan Matos, Sérgio Amaral Silva, José Batista de Lima, Aricy Curvello, Vilson Melo Corrêa. O número 2 é datado de agosto/dezembro de 1982. Contém ilustrações, informações e poesia. Publicação literária, exclusivamente poética.

Cirandinha:
Revista, off-set, semestral, grampeada, formato 22,3 X 16,8cm, oitenta páginas. Teresina, PI. Editor: Francisco Miguel de Moura. Comissão de literatura: Gloria Sandes, Hardi Filho, Rubervan do Nascimento. Cartuns: Dodó Macedo, Arnaldo, Marcos Mendra. Arte: Alberto Piauí. Entre os inúmeros colaboradores constam: Franklin Jorge, Cirineu Cardoso, Nicolas Behr, Teresinha Pereira, Paulo Machado, Cinéas Santos, O número 1 é datado de novembro de 1977. Contém fotos, charges, poemas, depoimentos, resenhas, notícias literárias, anúncios, cartuns, entrevistas, contos, além de um encarte permanente, grampeado com a revista, em folhas de coloração diferente. Revista cultural de literatura e artes.

Corpo Estranho ou Corpo Extranho:
Revista, off-set, formato 24 X 7,5cm, quarenta páginas, capa plastificada. São Paulo, SP. Editores: Júlio Plaza e Régis Bonvicino. Corpo Consultivo: Ana Bella Geiger, Augusto de Campos, Erthos Albino de Souza, Pedro Tavares de Lima, Regina Silveira, Walter Zanini. Entre os colaboradores constam: Paulo Leminski, Haroldo de Campos, Omar Khouri, Regina Silveira. O número 2 é datado de setembro/dezembro de 1976 e tem como slogan: “Criação intersemiótica”. O número 3 janeiro/junho de 1982 chama-se Corpo Extranho e tem como slogan: “Revista de criação”. Contém cento e noventa páginas em formato 19,3 X 10,5cm, confeccionada em três cores, semestralmente. Publicação vanguardista, com trabalhos lineares e visuais.

Escrita – Revista mensal de literatura:
Revista, off-set, formato de 27,7 X 21,1cm, na primeira fase variando de vinte e quatro a cinqüenta e seis páginas. São Paulo, SP. Editor: Ladyr Nader. Redação: Astolfo Araújo e Hamilton Trevisan. Colaboradores: Antônio Torres, Flávio Moreira da Costa, Antônio Hohlfeldt, Reinoldo Atem, Raimundo Caruso, Nagib Jorge Neto, J. Medeiros, Cinéas Santos, Clodomir Monteiro, Márcio de Souza, Maria Amélia Mello (equipe ampliada no número 32). Entre os colaboradores eventuais: Sílvio Fiorani, Domingos Pellegrini Jr., Roniwalter Jatobá, Samuel Rawet, Leila Miccolis, Glauco Mattoso, Ledo Ivo, Silviano Santiago, Moacir Amâncio, Paulo Leminski, Carlos Emílio, Affonso Romano de Sant ́Anna, Antônio Carlos Villaça, Lígia Averbuck. O número 1 é de 1975. No número 19 (1977) há entrevista intitulada: “A vez dos marginais”, com os participantes do grupo Nuvem Cigana. A partir do número 28 muda de formato, passando para 22,7 X 15,5cm, capa plastificada, variando de sessenta e quatro a cento e vinte e oito páginas. Contém prosa, poesia, entrevistas, reportagens, fatos, publicidade, esquema de assinaturas, resenha de livros, artigos, contos, serviços, informações de autores independentes. Escrita tem dois desdobramentos: Escrita Ensaio e Escrita Livro (ver verbete correspondentes correspondentes). Publicação literária.

Et Cetera:
Revista, mimeografada, variando de quarenta a sessenta e quatro páginas, formato de 21,5 X 55
16,1cm. Varginha, MG. Direção: Francisco Antônio Romanelli e Orestes Maurício Regispani. Assistente: Ubirajara Franco Rodrigues. Entre os colaboradores constam: Maria Isabel Souza Pinto, Cleonice Rainho, Marise Pacheco, Joaquim Branco, Herculano Villas-Boas, Ismar Bersot, Mario Newton Filho, Moacyr Scliar, Jefferson Ribeiro de Andrade, Cícero Acaiaba, Cássia Maria Mota Nogueira. O número 1 é datado de agosto de 1973. Contém poesias, notícias, publicidade, entrevista, contos e ilustrações. Revista literária.

Há Vagas para Texto e Traço:
Revista cultural, formato horizontal, formato 20 X 21cm, off-set, em preto e branco, quarenta páginas. Editada em Brasília, DF. Pessoal que botou a mão na massa: Chico Leite, Armando Veloso, Domingos Pereira Neto, José Alexandre Murino, Paulo Joe, Theophilus, Jefferson Jr, Cristina e Emerson Tomaz. A edição número 2 da revista é da primavera de 1984. A revista tem poesias, contos, desenhos e ilustrações.

Hera:
Revista, off-set, a maioria grampeada (os números 11 e 12 são colados), variando o número de páginas de vinte a sessenta e duas e o tamanho, cada uma em formato diferente, indo de 16,9 X 11,2 (o número 6) até 22,2 X 14,2cm (o número 13). Feira de Santana, BA. Diretor: Roberto Pereyra, Secretário: Gastão Coreia. Entre os inúmeros colaboradores constam: Antônio Brasileiro, Carlos Cunha, Evandro Barreto, Erthos Albino de Souza, Juracy Dórea, Wilson Allende, Luís Pimentel, Washington Queiros, Cid Seixas. Revista literária, exclusivamente poética. O Grupo Hera surgiu em 1972.

Mirante:
Revista independente de poesias e literatura, editada pelo poeta e escritor Valdir Alvarenga, desde sua criação há 28 anos, e atualmente coeditada por Sidney Sanctus. Já conta com 72 edições. Santos, SP.

Poesia Livre:
Saquinho em papel pardo, com folhas soltas, formato 11 X 27cm, off-set. Ouro Preto, MG. Diretor responsável: Guilherme Mansur Barbosa. Equipe editorial: Mariza Esteffânio, Olávio Ramos, Petrus, Romário Rômulo, Régis Gonçalves. O número 1 é de abril de 1977. Até os quatro primeiros números foi divulgada principalmente a criação poética local. A partir do quinto número, dezembro de 1979, abriu espaço para outros estados. Sempre sem perder a forma artesanal, sua marca registrada. O número extra, primavera de 1982, saído após o número 10, contém reportagem de Glauco Mattoso, Touchê e dez autoras brasileiras: Kátia Bento, Maria Amélia Mello, Marília Zenkner, Glória Perez, Leila Miccolis, Astrid Cabral, Eugênia Cunha, Suzana Kfuri Vargas, Iára Vieira, Rosa de Lima e, entre os escritores constam: Affonso Romano de Sant ́Anna, Marcelo Dolabela, Bráulio Tavares, Sebastião Nunes, Dirceu Quintanilha, Paulo Leminski. Tiragem: 2000 exemplares, com sistema de assinaturas. Publicação registrada em cartório, reunindo diversos estilos e tendências, enfocando temáticas as mais diversas. Publicação literário-poética.

Poesia - Pau - Brasília:
Revista de poesias, em preto e branco, mimeografada, formato 16 X 10cm, trinta e duas páginas. Editor: Nicolas Behr. Editada em Brasília, DF. A edição de Julho de 1980 não tem número. A revista tem poesias.

Polem:
Revista, off-set, capa policrômica, noventa e seis páginas, formato 25 X 18cm.  Rio de Janeiro, RJ. O exemplar datado de setembro/ outubro de 1974 não tem número. Editor: Duda Machado e Hélio Raimundo Santos Silva. Coordenação editorial: Robson Achiamé Fernandes e Maurício Cirne. Planejamento gráfico: Ana Maria Silva de Araújo. Entre os colaboradores constam: Augusto e Haroldo de Campos, Torquato Neto, Décio Pignatari, Chacal, Waly Sailormoon, Caetano Veloso, Hélio Oiticica, Rubens Gerchman. Contém poemas, história em quadrinhos, propostas visuais e poética de vanguarda. Publicação literária.

Post/Art - Coreoartistas de todos los países, univos:
Revista de arte correio, em preto e branco, mimeografada, formato 28 X 21cm, treze páginas. Editada no México. O número 1 é de julho de 1981, o número 2 é de dezembro de 1981. A revista tem fotos de arte correio de vários países.

Rac Revista de Arte Correio:
Publicação, off-set, formato 21,5 X 18cm, vinte e quatro páginas, bimensal. São Paulo, SP. O primeiro número é de novembro de 1979, tendo como responsáveis: Ulisses Penna e Marcos César Gouveia, Januário. Em meados de 1978, tendo a arte postal atingido o ápice com a exposição de trabalhos realizada em Campinas, sob a direção de Hélio Lete e contando com a participação de artistas nacionais e estrangeiros, necessitou-se juntar todo este material – colagens, cartões, carimbadas, poesias – numa única encadernação, embora tenha havido também o número 2, saído em maio de 1980. Não dispondo de recursos próprios nem vínculo publicitário para composição, impressão e demais gastos, a publicação ficou sendo, além de artesanal, eventual.

Rato de Praça - uma publicação bubônica:
Revista cultural, em preto e branco, formato 23 X 19cm, seis páginas. Editado em Salvador, BA. Editores: Kzé, Gaita, Guiba e Valente. A revista tem quadrinhos e poesias.

Repúbrica das Bananas
Revista, mimeografada, trinta e seis páginas, capa em cartolina, feita por alunos do Instituto de Letras da UFBA - Universidade Federal da Bahia. Salvador, BA. O primeiro número saído em 1980, sem data, foi vendido de mão em mão. Tiragem: 500 exemplares. A ironia que se faz notar a partir do “erro” intencional na grafia é a tônica desta revista de poesia.

Revista Dedo Mingo:
Editada por Glauco Mattoso. Formato 44 X 33 cm, capa plastificada, com cerca de vinte páginas, inteiramente datilografada numa máquina Olivetti, tipo paica, só depois xerocada e fotolitada. São Paulo, SP. Saíram dois números, ambos de 1982. Proposta cultural anárquica, ironizando, através de textos e poemas, os usos e costumes sociais. Sobre seu trabalho assim se referiu Carlos Ávila: “Com afinidades e parentescos com o que se convencionou chamar de ́literatura marginal ́, o texto de Glauco é macarrônico, uma geléia geral onde cabe tudo, desde filosofia até antropofagia, passando pela escatologia, mas num filtro próprio que privilegia a sátira acima de qualquer outra coisa.”

Ta-ta-ta Jornal:
Publicação, off-set, grampeada, dezoito páginas, formato 31 X 22cm, Rio de Janeiro, RJ. Diretores: Emanuel Brasil e Jorge Mautner. Ilustração: Deo. Entre os colaboradores constam: Gilberto Gil, Luís Carlos Maciel, Clarice Lispector, Norma Bengell, Jorge Salomão, Isabel Câmara, Alceu Valença, Caetano Veloso, Wally Salomão. O número 1 é de dezembro de 1976. Contém ilustrações, ensaios, poesia, entrevistas, artigos. Revista de contra-cultura.

Verbo Encantado:
Jornal, off-set, mini-tablóide, vinte e quatro páginas. Começou, segundo contsta, do número 17, sem data, circulando aos sábados, como encarte do jornal Tribuna da Bahia.  Bahia e de Sergipe. Redator: Álvaro Guimarães. Editores: Armindo Jorge Bião, Carlos Ribamar e Ribanceira, Luciano Diniz. Equipe: Nêgo, Nízio, Athenodoro Ribeiro e Gumi Tavares. Transas musicais: José Cerqueira Filho e Marco Antônio. Reportagens: Nelson Rocha. Posteirormente tornou-se independente. A partir do número 21 passa a ser edição nacional, em junho de 1972. Rio de Janeiro, RJ. Diretor: Álvaro Guimarães. Redator: Armindo José Bião. Edição nacional: Pinky Wainer, Waly Sailormoon, Reinaldo Jardim. Entre os verboys contam: Jorge Mautner, Torquato Neto, Caetano Veloso, Steve Berg, Carlos Ribas, Jorge Salomão, Oscar Ramos. Contém fotos, artigos, poesia, entrevistas e reportagens. Publicação cultural enfatizando a contracultura.


Nota - O cartaz que ilustra o artigo é da exposição organizada pelo escritor Alexandre Brito, na Câmara Municipal de Porto Alegre: exposição primorosa do acervo do Paco Cac, incansável pesquisador do tema e colecionador. Grata ao Alexandre pelo convite para participar da mesa de debates, onde tive a oportunidade de mostrar minha última publicação - nesta esfera de revistas literárias. Se o leitor tiver curiosidade sobre poesia e futebol, pode fazer o download gratuitamente, aqui mesmo neste blog, e divertir-se colando figurinhas! (nesta página)






28.2.13

Conto de Sandra Santos


arte
Sandra Santos


um conto meu no Livro do Bar do Escritor - Anarquia Brasileira de Letras,
LGE editora:



Perdidos

Os homens jogavam sinuca, na tarde morrida. Era um puxado num casarão de esquina, perdido num rincão, perdido no tempo e no mundo.
O vento eriçava os pelos e adentrava a saia, maroto como correntino. O dono do bar percorria com o olhar o caminho do vento enquanto secava os copos de bebida. A mulher não era das redondezas, ruminava. As mulheres dali eram possantes! Tiravam sustância da terra. Tinham formas arredondadas e marido. Aquela era magrela, como ovelha bichada. Prestando atenção em sua face descarnada e nos olhos úmidos e amendoados, não deixava mesmo de ter semelhança. Mas as pernas eram bem torneadas, os seios em pera, apesar de pequenos.
A mulher sentiu o olhar devassador, virou-se e caminhou para um banco de tábua, lá embaixo dum cinamomo, ao relento. Mas, que fazia a criatura? Por certo queria morrer de frio, com aquele vento e aquela garoa: caída dum vão criado por Deus-Nosso-Senhor entre a tarde e a noite.

Um dos homens, o que pintava de giz o taco da jogatina, enfiou a cara pela janelinha de tramela e chamou! Perguntou se não queria uma gajeta com mortadela. Ela fez que não com um meneio de cabeça e ele retrucou que era de graça. Ela voltou. Comeu, ali mesmo, no balcão do bolicho, à luz do lampião de gás que iluminava a pele murcha, não dos anos, mas da magreza. Não tinha aonde ir. Viajava há dias na boleia de um caminhão, sem destino. O caminhoneiro havia chegado ao destino dele e ela aqui. Não sabia para aonde nem de onde. O homem que lhe pagara o fiambre lhe indicava uma tapera perdida numa ponta de mato, há poucas horas dali, deixando a estrada. Agradeceu a bondade e seguiu o rumo indicado, na noite sem lua.

Era uma picada comprida, cheia de juás. Muitos galhos secos a lhe riscar as pernas. Pensando em se aquecer num pequeno fogo, foi recolhendo gravetos pelo caminho. Ao chegar à casa abandonada, trazia uma braçada de lenha.

Não havia porta. Nem fogão havia. Umas poucas paredes protegiam do vento, junto com o arvoredo. O chão batido e cobertura de santa fé. Um imenso buraco no teto improvisava um planetário - para ver céu e estrela, se houvesse. Mas era uma noite escura. Noite de desgraçados! Ela suspirou, um canto só seu. Ajoelhou-se a principiar o fogo. Uma prateleira, no quarto contíguo, ainda guardava latas com banha e farinha de milho. No dia seguinte cuidaria de ver o que fazer. Agora, era se aquecer e descansar da vida. Pelo menos, por um dia. E adormeceu, com os uivos do graxaim ao longe.

O que sucedeu a seguir embaralhou-se na mente. Reconheceu um deles, o que lhe tinha sido gentil. Os outros tinham todos o mesmo focinho, cheiro de cachaça, mãos imundas, mesmo sofregar dos animais no cio. Não havia o que fazer! O grito entalou na garganta. As pernas paralisaram. Perdeu a noção do tempo, desviou o pensamento para um cadinho de infância feliz, o primeiro namorado e depois, cerrou...

sandra santos

in Bar do Escritor - LGE Editora

Nota: Sandra Santos nasceu em São Luiz Gonzaga e publicou seus primeiros rabiscos aos quinze anos de idade. Cedo percebeu que não tinha talento e abandonou o ofício da escrita. Vez ou outra tem uma recaída e atende o apelo de alguns leitor despretensioso. Vive de rabiscar cores fortes em qualquer tela desavisada ou ensaiar formas chucras no barro das olarias. Faz " à unha" o blog " A Gata por um Fio"!





19.2.13

Arte e Poesia


Monalisa de botão by Jane Perkins


Visitando um museu de botão


Quando a arte e a literatura se encontram: neste caso, o encontro da arte da britânica Jane Perkins com a poesia do brasileiro Alexandre Brito. Releituras de Leonardo da Vinci, Wermeer e Warhol by Jane Perkins ilustradas pelo poema de Alexandre Brito.



Moça com brinco de pérola by Jane Perkins



Marilyn Monroe de botão, by Jane Perkins



Alexandre Brito


o museu do botão

o museu do botão só tem botão

no portão de entrada uma nota:
"por favor, desabotoar a porta"

de fora ninguém imagina como é por dentro
um desafio ao mais astuto pensamento

tem botão de camisa, de saia, de calça
de bolso, de bolsa, de gola, de gala, de alça
botão que disfarça e botão que realça

fixo, elástico, natural, poroso, reciclado
fino, chato, oval, redondo, quadrado
de tudo quanto é estilo e formato

do translúcido diamante fulgurante
ao embaçado caco de vidro opaco
tem o que ver até o cansaço

botão antigo, moderno, romântico, clássico
nobre, discreto, cromado, complexo, compacto
botão de plástico, vime, acrílico, couro e aço

de tecido, de lata, de laca
botão de osso, coco, alpaca
banhado em ouro, cobre, níquel, estanho, prata

o museu do botão é uma graça!

na seção retrô
o botão que imita um botão de rosa
arrasa


18.2.13

Diego Propato













Diego Propato



Cosas de paráclitos, Herménides y Demócritos


En un río se encontraron un dragón y una tortuga, ambos estaban deshidratados. Para llegar a un acuerdo sobre de quién sería el turno, primero tenían que entenderse. Esto era vital. Si bebía el dragón la tortuga moriría de sed esperando que el agua hirviendo en el esplendor de su ebullición vuelva a su temperatura original. En caso contrario fallecería el ser mitológico aguardando los sorbos cuadro por cuadro del pasivo reptil. Hablaban y hablaban pero sus argumentos parecían inverosímiles. El dragón insistía que era su turno ya que la realidad era dinámica y en continuo cambio. La tortuga refutaba señalando que le correspondía beber a ella debido a que la realidad era algo absolutamente estática y fija. El primero argumentó sobre devenir y la transformación incesante, la segunda de lo permanente, del ente que es presencia constante. El dragón divisó que las nubes ya no era las mismas nubes porque de alguna manera el cielo había gravitado en ellas. Entonces reflexionó que aquejado por la sed, él mismo ya no era el ser contemplativo de hacía unos instantes y apelando a sus instintos más sensuales, sin más lanzó una feroz llamarada. La tortuga a través de su rigor racional determinó que con los pensamientos y no con los sentidos podía alcanzar la verdad y mediante el reflejo más espasmódico de toda su vida introdujo sus patas y cabeza dentro de caparazón evitando las llamas. El fuego transformó la tierra en una pantanosa sopa y ambos resbalaron cayendo en su líquido. Si bien podría llegar a ser cierta aquella máxima: “ nadie es el mismo después de bañarse en un río por segunda vez”. La criatura que emergió causó por demás sorpresa. No fue un dinosaurio con caparazón, ni una tortuga escupiendo fuego. Por encima de un laberinto ya vaciado apareció un ornitorrinco conciente y piromaníaco.


24.1.13

Poesia Visual de César Pereira


poesia visual
César Pereira e Lenira Perira 





























Exposição de Poesia Visual de César Pereira no Castelinho do Alto da Bronze


Exposição no Castelinho do Alto da Bronze, da qual sou curadora, traz a mostra "César Pereira", o
criador do POENIGMA e também um dos percursores da poesia visual no Rio Grande do Sul. O poeta gaúcho também manteve estreita relação com a vanguarda carioca do Poema Processo, grupo formado por Wlademir Dias-Pino, Alvaro de Sa, Anselmo Santos. Em 1967, recebeu convite do grupo para integrar a Exposição do Rio e a Antologia, mas não teve como participar. Sua importância na poesia visual foi reconhecido internacionalmente. A I Trienal Internacional de Poesia Visual de Porto Alegre, evento que reuniu 120 artistas de 37 países, em Junho de 2000, no Museu do Trabalho, teve como poeta homenageado o poeta Cesar Pereira.
"César Pereira foi o lançador da Poesia Concreta no Rio Grande do Sul" afirma Paulo Bacedônio, coordenador daquela exposição, onde participaram Klaus Groh, Klaus Peter Dencker, Mathias Goeritz (Alemanha); Rachid Koraichi (Argélia); Alicia N. Zárate, Ana Maria Uribe, Edgardo Antonio Vigo(Argentina); Denis Mizzi, Thalia, Tony Figallo (Austrália); Luc Fierens (Bélgica); Jurgen Hesse (Canadá); Cláudio Rodrigues Lanfranco, Guillermo Deisler (Chile); Luis Eduardo Rendón, Tulio Restrepo (Colômbia); kum Nam Baik (Coreia do Sul); Samuel Feijóo e Pedro Juan Gutierrez (Cuba); Mogens Otto Nielsen (Dinamarca); Jayne Taylor (Escócia); Ladislav Novak (Eslováquia); Amaya Mendizabal, Angela Serna, César Reglero e J. Gómez (Espanha); Harry Burrus, John M. Bennet, John Vieira, Michael Basinski, Ricardo Eugenio Gonsalves e Spenser Selby (Estados Unidos); Daniel Daligand e Julien Blaine (França); Michael Mitras (Grécia); Rod Summers (Holanda); András Petocz (Hungria); Laura Ryder (Inglaterra); Mohamed S. Saggar (Iraque); Allan Schwartz (Israel); Alberto Vitacchio, Carmine Lubrano, E. Oliva e Giovanni Strada (Itália); Filimar (Filimar); Keiichi Nakamura e Shoji Yoshizawa (Japão); Aarón e César Espinosa (México); Patrícia Prime (Nova Zelândia); Ricardo Quesada (Peru); Barbara Koskowaska e Tomasz Schulz (Polônia); Constança Lucas, E. M. de Melo e Castro, Fernando Aguiar (Portugal); Mihaí Alexandru (Romênia); Andrey Tozik, Dmitry Bulatov, Rea Nikonova, Serge Segay (Rússia); Eugen Gomringer (Suíça); Pétr Sevcik (Tchecoslováquia); Clemente Padín, Diego de Los Campos, Gladys Afamado, Nicteroi N. Argañaraz (Uruguai); Yucef Merhi (Venezuela).



Exposição de Poesia Visual  César Pereira


9.1.13

Leo Lobos


poesía Chile
Leo Lobos




Poesia de Leo Lobos


Livre da enfermidade, embora em meio à enfermidade
Yagyu Munenori


Una Visita al Zoológico Fantasma 

He visto tanta mierda de perro
en las calles de París que debo
caminar con cuidado en la noche

es cuando me parece entonces
escuchar a niños y niñas fantasmas reír en la fila a la entrada del
zoológico que para ellos aquí se levanta:

un desfile de elefantes blancos cruza l
a plaza del Louvre haciendo
malabares con obras de arte y restos
de arqueologías extraterrestres, jirafas
corren por los Campos Elíseos comiendo
las luces navideñas que crecen en
sus árboles, ballenas, delfines,
patos salvajes nadan por el Sena
tragando turistas desprevenidos
que encienden flashes en sus narices
leones copulan hambrientos
sobre los tejados como reliquias
de cristal de una ciudad inminente...

Hipopótamos ebrios se atascan en sus
calles serpenteantes, en sus arcos triunfales,
en su torre famosa...
Galeristas confusos
corren tras caballos libres de
carrusel que llevan grabada una estrella
de oro en su flanco...

Bandadas de aves tropicales cubren la luna
de plumas de plástico que
osos vestidos a la moda soplan
con ventiladores nucleares desde
globos que intermitentes suben
y bajan por escaleras invisibles
que aguilas ciegas traen  desde Nôtre-Dame...


Campanas-nubes cargadas de
perfumes humanos llueven
al final de esta noche sobre
el zoológico de plasma y todo
vuelve en los ojos de un gato

sabiamente
a ser luz solar
y París  es
otro día.




Tenho visto tanta merda de cão
nas ruas de Paris que devo
caminhar com cuidado à noite

é quando me parece então
escutar meninos e meninas fantasmas
rirem na fila de entrada do
zoológico que para eles ali se levanta:

um desfile de elefantes brancos cruza
a praça do Louvre fazendo
malabarismos com obras de arte e restos
de arqueologias extraterrestres, girafas
correm pelos Campos Elíseos comendo
as luzes natalinas que crescem em
suas árvores, baleias, delfins,
patos selvagens nadam pelo Sena
tragando turistas desprevenidos
que acendem flashes em seus narizes
leões copulam famintos
sobre os telhados como relíquias
de cristal de uma cidade iminente...

Hipopótamos ébrios se encalham em suas
ruas serpenteantes, em seus arcos triunfais,
em sua torre famosa...
Galeristas confusos
correm atrás de cavalos livres de
carrossel que levam gravada uma estrela
de ouro em seu flanco...

Bandos de aves tropicais cobrem a lua
de plumas de plástico que
ursos vestidos à la mode sopram
com ventiladores nucleares de
globos que intermitentes sobem
e descem por escadas invisíveis
que águias cegas trazem
de Nôtre-Dame...

Sinosnuvens carregados de
perfumes humanos chovem
no final desta noite sobre
o zoológico de plasma e tudo
retorna nos olhos de um gato

sabiamente
a ser luz solar
e Paris é
outro dia.

tradução: Cristiane Grando






Leo Lobos
Rem
Castelinho edições - Instante Estante



página de Leo Lobos
















27.12.11

Poesia de Alexandre Brito





Poesias e Museus


Alexandre Brito "escreve poesia para crianças pequenas, médias e grandes". Seu primeiro livro infantil, Circo Mágico, foi finalista do Prêmio Açorianos e também selecionado no PNBE 2010. Seu segundo livro infantil, Museu Desmiolado, lançado em 2011, fez parte da Lista dos 30 melhores Livros Infantis 2012 da Revista Crescer e, ainda em 2012, selecionado para a Feira Internacional de Bolonha. Então, entro de cabeça no Museu Desmiolado do Alexandre Brito!

vou falar sobre um...



MUSEU DESMIOLADO

Por que um museu
perguntou a musa ao dicionário?
(...)
que tal entrarmos para conferir
sugere Benazir
(...)
o museu fica meio escondido
nem lembrado nem esquecido
(...)
isso porque certas artes
é bom que se diga
melhor fora do alcance das vistas
(...)

Entro, aceitando a sugestão de Benazir, no museu de Alexandre Brito. Percorro labirintos, sem tentar decifrar os mistérios. Entro assobiando, admirada com as cores das paredes. E, então, todos os relógios param. Os ponteiros começam a dar voltas ao contrário. Eu já estou criança com um pirulito na boca. E vou abrindo portas, lendas, parlendas. Lembrando de apelidos e palíndromos. Diante dos olhos, livros de edições esgotadas, com suas palavras guardadas no sebo.
E o livro era de literatura infantil, pois não? Mas a poesia de Alexandre Brito é para crianças pequenas, médias e grandes.
A literatura infantil de Alexandre Brito não se pretende pedagógica, mas leva pela mão o pequeno e o grande leitor ao universo das palavras esquecidas, às formas literárias das parlendas , à magia dos palíndromos.
A literatura infantil de Alexandre Brito tem um humor inteligente que encanta também os adultos, pois remexe nas memórias de infância e repassa essa memória aos de agora.
A literatura de Alexandre Brito tem múltiplos endereços.
E saio do livro lembrando Ferlinghetti, de “um parque de diversões da cabeça":

“ ... e enquanto nos amarrávamos aos mastros e tampávamos os ouvidos com goma de mascar jumentos tristonhos em colinas elevadas cantarolavam canções melancólicas e vacas joviais revoavam entoando cânticos atenienses e seus bulbos transformavam-se em tulipas e helicópteros de Hélios...”

(Ferlinghetti)

... e para degustar:



O MUSEU DA SOLIDÃO
o museu da solidão tem uma sala,
um espelho
e uma cadeira

na sala
cabe uma pessoa só
diante de si mesma

o museu da solidão
não é sólido nem é líquido
é íntimo

istmo
entre o futuro e o passado

não parece
mas o museu da solidão
é ensolarado

... e como nem tudo é solidão, mas quase tudo é íntimo, há também o meu, O Museu do Crepúsculo



O MUSEU DO CREPÚSCULO
                             para Coe-ty

o museu do crepúsculo
descerra suas portas ao fim da tarde

enquanto o sol arde
ele não abre

o museu do crepúsculo é exato
espera o último raio do dia se ir
para começar o espetáculo

são muitos crepúsculos em exposição
de Buenos Aires, Belo Horizonte, Assunção
São Luiz Gonzaga, Porto Alegre, Milão

tem até da cidade de Kioto no Japão

o céu se pinta de cores tão lindas
que não há palavra ou expressão
que as expresse em nenhuma língua

Alexandre Brito




leia mais sobre Alexandre Brito aqui